Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/01/2021

A educação a distância (EaD) no Brasil não é uma ferramenta recente. Desde a década de 1940 já existiam cursos por carta, programas de rádio e mais recentemente pela televisão, como o Telecurso 2000, por exemplo. Hoje, com a popularização da Internet a EaD tornou-se a realidade de aproximadamente 7 milhões de estudantes do ensino superior, segundo a Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED). No entanto, essa modalidade de ensino possui suas limitações. Nesse contexto, é necessário reconhecer os avanços e benefícios, bem como discutir os desafios para implementar, de forma satisfatória, esse recurso tão poderoso.

Em primeiro plano, vale destacar que a Constituição Federal garante em seu Artigo 205, que “a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família”. Sem dúvidas, o ensino a distância corrobora com a lei, já que é uma forma mais acessível física e financeiramente de aprendizado. Isso porque de acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), cerca de metade dos jovens que cursam o ensino superior possuem uma dupla jornada, ou seja, trabalham e estudam. Consequentemente, a EaD torna-se muito mais viável para essas pessoas, que não possuem tanto tempo e dinheiro disponível para um ensino presencial.

Contudo, apesar dos avanços, ainda há desafios de planejamento e infraestrutura a serem enfrentados em relação à EaD no Brasil. Um deles é a baixa interação entre professores e alunos. Isso ocorre, pois o segundo a pesquisa do Jornal G1, uma aula dessa modalidade pode atingir a  audiência de 250 mil alunos, o que torna impraticável a solução de dúvidas diretamente com o professor e o dialógo entre os envolvidos. Para Paulo Freire, professor e Patrono da Educação Brasileira, o contato entre educador e educando é indissociável da aprendizagem, pois o processo de ensino possui uma relação de mutualidade, na medida em que os participantes aprendem em conjunto, a fim de desenvolver um pensamento crítico. Algo que é dificultado pelo atual modelo de EaD, que deixa sob a responsabilidade de um único professor, milhares de alunos.

Portanto, para superar os entraves do ensino a distância e ampliar seu potencial, é preciso que o Ministério da Educação tome as providências. Para esse objetivo é preciso melhorar a conexão entre aluno e professor. Isso deve ser feito por meio da capacitação dos profissionais para lidarem com esse novo modelo de ensino, bem como por meio da criação de “pós-aulas” nos quais possa haver a resolução de dúvidas, como também o diálogo entre educandos e educadores. Dessa maneira, certamente o Brasil caminhará para uma educação mais democrática, inclusiva e, ao mesmo tempo, de qualidade.