Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 02/01/2021

Em 2020, com a pandemia mundial do coronavírus, o isolamento social e as medidas de proteção impediram que escolas e universidades tivessem aulas presenciais. Com esse cenário, apesar da educação a distância ter crescido em todo o território nacional, encontrou entraves para o pleno funcionamento, seja pela dificuldade de acesso à internet, seja pela falta de comprometimento dos alunos.

Em primeira análise, o acesso à internet de qualidade não é viabilizado em todo o país. Isso ocorre, pois, como o Brasil possui dimensões continentais, o desenvolvimento de cada região ocorre de forma desigual, tal fato é consequência da herança colonial em que o litoral era mais valorizado e foco de investimentos do que os outros estados. Devido a isso, há muitos locais no país em que os estudantes não possuem acesso à internet para que seja possível a implementação do ensino a distância de forma efetiva. Esse cenário expõe como o governo se comporta como uma “Instituição Zumbi”, do sociólogo Zygmunt Bauman, visto que, apesar de manter sua forma, não exerce sua função de prover educação igualitária a toda a população.

Além disso, a educação a distância exige um alto comprometimento tanto do aluno quanto do professor, uma vez que o ambiente para dar aula e para assisti-la precisa ser propício ao aprendizado. Esse panorama enfrenta alguns obstáculos, como a falta de equipamento e preparo para atrair a atenção do aluno - já que sendo uma aula a distância aumenta a possibilidade de dispersão dele - no caso do professor e, no caso do aluno, a adesão à aula sem distrações e mantendo o foco. Dessa forma, o aluno torna-se responsável pela sua educação, o que corrobora a citação do poeta Pablo Neruda ao dizer “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, dado que, a liberdade individual traz consequências como, nesse caso, ao negligenciar a aula a distância está prejudicando a si próprio.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater os desafios da educação a distância. Para isso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura - por meio de associações com Secretarias Estaduais de Educação - a implementação de cursos obrigatórios a todos os professores, de escolas e universidades, a fim de aprimorar técnicas de ensino a distância para tornar essa experiência bem sucedida tanto para o aluno, quanto para o professor e, dessa maneira, aumentar a adesão dos alunos a essa modalidade de ensino. Assim, será possível reduzir os impactos da pandemia e implementar a educação a distância de forma realmente eficaz e produtiva.