Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 06/01/2021
A partir da década de 1970, a Revolução Técnico-Científica-Informacional possibilitou novas formas de transmitir informações por meio da evolução da tecnologia ligada à telecomunicação. Destarte, a educação a distância (EAD) é um dos frutos desta revolução, fruto este que beneficia a vida de muitas pessoas, pois elas podem estudar onde e quando quiserem. No entanto, o EAD, apesar de seus benefícios, enfrenta muitos desafios como a desigualdade social, que impede de todos terem acesso a este tipo de educação e a baixa qualidade do ensino.
Primeiramente, sabe-se que a desigualdade social é um grande impasse para o ensino a distância. Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), 85% dos alunos que cursam EAD são de instituições particulares, ou seja, a maioria desses estudantes têm condições financeiras para custear uma boa internet e um bom aparelho. Todavia, esta não é a realidade da grande parte das pessoas do Brasil, visto que ele é o nono país mais desigual do mundo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse sentido, vê-se que a educação on-line, mesmo com suas vantagens, não é algo de fácil acesso, já que esta modalidade de ensino exige bons recursos. Dessa forma, é necessário que o Estado intervenha para diminuir o impacto negativo da desigualdade social na educação a distância.
Ademais, a baixa qualidade do EAD é um desafio a ser combatido no Brasil. Um estudo feito pelo Todos pela Educação revela que 75% dos estudantes que concluíram o curso superior a distância estão abaixo da média do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). Isso acontece porque muitos professores vêm de gerações em que a tecnologia não era uma realidade próxima e por isso, têm dificuldades para lidar com aparelhos modernos. Porém, eles não recebem uma boa capacitação tecnológica e consequentemente, o conteúdo das aulas é prejudicado, pois não é passado de maneira clara, o que fere o desempenho dos alunos. Sendo assim, os profissionais precisam de uma melhor formação informática para amenizar os desafios do ensino on-line.
Logo, medidas devem ser tomadas para diminuir os impasses da educação a distância no Brasil. Nesse contexo, o Ministério da Educação -responsável pela gestão dos sistemas de ensino- deve criar um programa que dá oportunidade a alunos carentes de cursarem EAD, por meio do investimento em internet e aparelhos, a fim de democratizar o acesso ao ensino on-line. Também o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve contratar profissionais para instruir os professores do EAD a usar melhor os recursos tecnológicos, com o fito das aulas serem mais dinamizadas e melhorar o desempenho dos estudantes. Dessa maneira, o fruto da Revolução Técnico-Científica será para todos.