Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Para Giorgio Agamben, o estado de excessão, isto é, a supressão de direitos em casos específicos, tornou-se cotidiano na vida de certos civis, como os desprovidos da inclusão digital. Nesse viés, é notável que os benefícios da educação a distância (EAD) são inviáveis para cidadãos que não possuem internet ou conhecimento técnico, por exemplo. Logo, fica clara a urgência de políticas que reduzam esses entraves estruturais.
Nessa perspectiva, deve-se pontuar que uma das principais qualidades da EAD é a flexibilidade de horários, já que o conteúdo via intenet pode ser estudado a qualquer momento. No entanto, por falta de conhecimento digital de uma parcela do corpo docente, essa modalidade de ensino ainda é precária no país. Afinal, conforme a matéria do site G1 em 2020, cerca de 83% dos professores brasileiros não se sentem preparados para ministrar aulas on-line. Portanto, é evidente que essa realidade deve ser combatida com políticas de incentivo à alfabetização digital desses profissionais.
Além disso, vale ressaltar que o ensino virtual é fundamental para que o ensino seja democratizado no Brasil, haja vista a economia dos alunos mais humildes que não gastam com transporte nessa modalidade. Porém, nem todos são incluídos nesse contexto, já que parte da população rural não tem cobertura digital. Exemplo disso, é o índice de 70% das zonais rurais do país que não tem acesso à internet, ratificado no site G1. Em suma, é necessário que o Estado viabilize condições de igualidade nesse quesito para que, de fato, a EAD seja democratizada na sociedade.
Concluí-se, então, que uma solução plausível para disponibilizar o ensino digital, de forma justa, será a criação do projeto ‘‘Integre e Ensine’’ pelo Ministério da Educação. Posto isso, por meio de verbas federais, aulas elucidativas serão elaboradas por técnicos de informática que vão ensinar os docentes à ministrar aulas on-line. Desse modo, o material será veiculado na televisão aberta, a fim de formar professores capacitados na EAD. Ademais, a União vai custear a cobertura de internet nas zonas rurais do país. Assim, não haverá mais o estado de excessão nesse quesito.