Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Em 2020, em razão do covid-19, todos os países foram forçados a fecharem as escolas, as quais passaram a ser “online”. Tal situação permitiu perceber a disparidade entre o ensino presencial e não-presencial no Brasil. Assim, o ensino a distância sofre com falhas que dificultam a sua implantação, tais como a falta de democratização de recursos tecnológicos e a deficiente aprendizagem via internet". Diante da realidade supracitada, o uso da “internet” ainda é um privilégio da classe média e da elite brasileira. Em consoante ao afirmado, segundo o TIC Domicílios, 30% dos brasileiros não têm acesso à “web”. Ademais, segundo a filósofa Hannah Arendt, o estado democrático toma medidas que geram a inclusão de todos. Dessa forma, é indubitável que a implantação do ensino à distância não corrobora com a democracia, dado que um terço da sociedade é excluído do processo, como ocorreu na pandemia de 2020, quando apenas escolas particulares deram aulas não-presenciais, pois a majoritária parcela dos alunos dos colégios públicos não possuíam computadores. Logo, um dos impasses para o ensino a distância é a falta da democratização dos recursos tecnológicos.
Outrossim, outro imbróglio para a educação não-presencial é a má qualidade do aprendizado “online”. Nas escolas, os estudantes podem tirar dúvidas com os professores, o que aumenta a retenção e compreensão do estudado. Por outro lado, os cursos “online” não permitem essa interação, o que exige autodidatismo do aluno. Porém, segundo o pedagogo Celso Antunes, a habilidade autodidata foi inibida nos estudantes por anos. Em ressonância ao exposto, o despreparo do aluno brasileiro com esse tipo de modelo de ensino foi comprovada pela pesquisa do Todos pela Educação, a qual mostrou que os estudantes de “EAD” têm piores desempenhos. Nessa conjuntura, a educação não-presencial ainda é muito desafiadora para os acadêmicos, uma vez que não garante o aprendizado.
Dessarte, o ensino a distância ainda possui entraves que impedem sua execução. Portanto, é papel do Legislativo (órgão que é responsável pelas leis), por meio de uma emenda que obrigue o Ministério da Educação a distribuir “internet” para pessoas de baixa renda, bem como a criar programas para o desenvolvimento do autodidatismo, democratize o acesso à recursos tecnológicos e garanta que os futuros alunos sejam autodidatas, a fim de que, posteriormente, o ensino não-presencial possa ser implantado em excelência e de forma inclusiva.