Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No século XX, a Revolução Técnico-Científica-Informacional trouxe o advento da internet, com a finalidade de estabelecer conexões entre espaços distantes. Nesse contexto, nota-se que a Terceira Revolução Industrial inovou o âmbito tecnológico, tendo impactos, também, na educação, como por exemplo na utilização do ensino a distância. Contudo, apesar de as aulas on-line oferecem diversas vantagens para o avanço da educação no Brasil contemporâneo, elas ainda enfrentam graves obstáculos, como o preconceito e a falta de infraestrutura.
Primeiramente, é importante salientar a grande acessibilidade financeira, espacial e temporal que a educação a distância (EaD) viabiliza aos brasileiros. De acordo com estudos realizados pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), 70% das instituições públicas que ofertam cursos de EaD contam com alunos que estudam e trabalham. Nessa perspectiva, percebe-se na instrução virtual uma chance de inclusão social na educação, bem como de minimização da desigualdade educacional, visto que as barreiras socioeconomicas e geográficas que impossibilitam o acesso à aprendizagem são “derrubadas” pela tecnologia.
No entanto, persistem entraves que dificultam a ascensão dessa metodológia no país, como o pensamento retrógrado de parte da população que enxerga essa prática como ineficiente e problemática. Tal situação é confrontada pelo sociólogo Pierre Lévy o qual diz que o planeta está sofrendo um processo de “virtualização”, ou seja, tudo que existe no mundo real pode ser virtualizado. Nesse sentido, conclui-se que a educação, também, está sofrendo esse processo, de modo a tornar-se eficiente e acessível. Adicionalmente, a exclusão digital infraestrutural contribui para o retrocesso do ensino a distância. Segundo a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), o acesso à internet deve ser visto como um direito humano do século XXI. Nesse contexto, a inacessibilidade à rede virtual impede e inviabiliza o estudo de muitos brasileiros, o que demonstra não só um obstáculo para esse tipo de ensino, mas, também, as condições desumanas em que vivem essas pessoas.
Evidencia-se, portanto, que a problemática da educação a distância no Brasil urge por solucões. Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em parceria com o Ministério da Educação, devem oferecer, por meio da destinação de parte do orçamento nacional, planos gratuitos de banda larga residencial, escolar e comunitária para os cidadãos que comprovarem - mediante a apresentação do atestado de frequência escolar - que estudam em aulas de EaD, de maneira a possibilitar a todos os brasileiros o acesso a uma internet de qualidade e à educação, além de diminuir a desigualdade social presente no Brasil.