Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/02/2021

No século XX, a Revolução Técnico-Científica-Informacional trouxe o advento da internet, com o intuito de estabelecer conexões a longo alcance. Nesse contexto, o mundo globalizado inovou o âmbito tecnológico, impactando, também, na área da educação. Contudo, no cenário atual, observa-se a configuração de um grave problema envolvendo os empecilhos da educação a distância no Brasil, em virtude da desigualdade social e do descaso governamental.

A princípio, é válido discernir que o acelerado e desordenado processo de êxodo rural, não foi acompanhado pela infraestrutura urbana e, consequentemente, desencadeou uma série de problemas sociais, entre eles a desigualdade. Nesse sentido, essa disparidade financeira é um fator determinante na problemática, uma vez que a falta de aparelhos tecnológicos adaptados ao dinamismo da educação digital, inviabiliza o ensino a distância, que é uma modalidade de educação mediada por tecnologias. Nessa lógica, conforme o pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Pierre Lévy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos” e entre esses suprimidos está a parcela social economicamente vulnerável.

Ademais, apesar do acesso à internet estar incluído entre os direitos fundamentais descritos no artigo 5º da Constituição de 1988, de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas, 8 milhões de crianças e adolescentes não possuem acesso à internet. Somado a isso, a falta de investimentos na formação de docentes especializados na modalidade de EAD (Educação a distância), se desdobra na dificuldade de ministrar aulas produtivas e dinâmicas que visem o foco e dedicação dos alunos. Desse modo, evidencia-se o descaso governamental no que se refere tanto ao cumprimento legislativo, quanto ao financiamento de uma educação de qualidade. Logo, é notório a necessidade de ações que revertam tal conjuntura.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de parcerias público privadas, promover a criação de um programa de “Bolsa Tecnologia Educacional”, o qual ofereça aparelhos tecnológicos aos discentes de baixa renda, com o objetivo de democratizar o acesso a EAD. Outrossim, o MEC deve realizar projetos de capacitação profissional, mediante investimentos, oferecendo cursos aos professores sobre aulas on-line, tendo em vista familiarizar esses profissionais à essa modalidade de ensino, para que, eles possam realizar aulas proativas que prendam a atenção dos discentes. Dessa forma, os desafios do ensino a distância no Brasil seriam minimizados, contribuindo, assim, para que o progresso da Revolução Industrial fosse refletido, similarmente, no desenvolvimento e na integração do ramo educativo.