Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 16/01/2021
No livro “A menina que não ler”, de Justin Chadwick, é retratada a história de Florence. Uma jovem apaixonada por aprender, mas que não tinha dinheiro nem acesso à escola para adquirir conhecimento. Fora da ficção, essa situação é, infelizmente, uma realidade na vida de muitos brasileiros. Sendo assim, o ensino a distância acaba se tornando inviável devido à baixa infraestrutura das escolas e à desigualdade social existente no Brasil.
Em primeira análise, faz-se necessário evidenciar o déficit estrutural das escolas brasileiras. Nesse sentido, o Instituto Nacional de Educação e Pesquisa (INEP) releva que existem mais de duas mil escolas, no Brasil, que não possuem acesso à água. Dessa forma, é difícil acreditar que instituições de ensino, que não possuem sequer condições mínimas de saneamento e higiene, tenham condições de fornecer um ensino à distância de qualidade. De acordo com o documentário “Pro dia nascer Feliz, João Jardim, a educação pública brasileira não propicia um espaço que estimule os estudantes. Com isso, já desestimulados, os alunos dificilmente aderem à estratégias de ensino alternativas.
Ademais, outro fator importante é a influência da condição socioeconômica no desempenho acadêmico do indivíduo. Nessa perspectiva, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que há mais de cinquenta milhões de brasileiros vivendo em extrema pobreza. Dessa maneira, uma grande parcela da população é impossibilitada de ter uma educação via internet, pois não possui condições mínimas para própria alimentação. Diante disso, a permanência dessa conjuntura é inadmissível, porque, conforme o Artigo 205 da Constituição Federal, é dever do Estado promover uma educação gratuita e de qualidade a todo cidadão. Assim, diminuir o contraste social é essencial para tornar a educação à distância uma possibilidade palpável a todos brasileiros.
Portanto, o Estado deve tomar medidas para fornecer uma educação de qualidade e atenuar a desigualdade de renda no país. Desse modo, o Ministério da Educação e Cultura precisa investir na melhoria das escolas e fornecer um vale escolar para os jovens carentes, por meio da criação de um projeto de lei, entregue à Camara de Deputados, que vise um aumento no repasse de verbas para as instituições mais precárias e a criação de um vale escolar designado aos estudantes com renda inferior a um salário mínimo, a fim de tornar a escola um local mais estimulante ao aprendizado e facilitar o acesso à internet pelas populações mais pobres. Feito isso, espera-se que os desafios vividos pela personagem Florence permaneçam apenas nos livros.