Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 01/05/2021

A Canção de Exílio, escrita pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias, expressa a saudade do eu-lírico pela sua pátria, pois, estava estudando em Portugal. Porquanto, era extremamente comum a realização de intercâmbios na Europa, já que não existiam universidades no Brasil. No entanto, diferentemente do séc. XIX, o ensino a distância contemporâneo permite que o aluno estude da própria casa. Nessa lógica, essa modalidade universitária permite a democratização do ensino no país. Porém, a falta de fiscalização desse sistema pode prejudicar a formação profissional dos brasileiros.

Antes de tudo, é válido destacar que a educação a distância (EAD) possui custos mais baixos, acessibilizando o ingresso aos cursos superiores. Segundo o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo. Todavia, para concretizar a transformação citada pelo líder, é necessário que o ensino seja universal. À vista disso, o EAD destaca-se como elemento unificador educacional, uma vez que possui mensalidades mais baixas e menores gastos com transporte. Desse modo, essa categoria permite que pessoas menos privilegiadas economicamente tenham acesso às universidades, diminuindo a desigualdade social.

Por outro lado, faz-se relevante analisar não só os benefícios, mas também os malefícios do EAD. Nesse sentido,  a obra de George Orwell, “A Revolução dos Bichos”, torna-se condizente com a temática. De acordo com a trama, os ideais revolucionários dos animais contra os maus tratos dos humanos foram perdidos devido à ganância dos porcos, líderes da rebelião. Dessa mesma maneira, as oportunidades democráticas do EAD podem ser diluídas pelo mesmo motivo. Em virtude do grande crescimento desse ensino, algumas universidades passaram a facilitar a obtenção dos diplomas, por interesses puramente financeiros, sem que haja uma formação adequada. Portanto, para garantir uma formação profissional adequada, é necessário aumentar a fiscalização sobre as instituições de ensino.

Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe ao MEC, em parceria com os governos estaduais, a criação do OFED (Órgão fiscalizador da Educação a Distância). Para tanto, o MEC deverá ceder verbas anuais para que cada estado financie a fiscalização do material didático e das instalações das instituições, garantindo que sejam eficientes para a formação íntegra do aluno.  Assim sendo, caso seja constatado alguma irregularidade, a Secretaria de Educação do estado deverá bloquear temporariamente a certificação de conclusão de curso. Destarte, os casos resultantes da má formação pelo EAD seriam atenuados, universalizando um ensino de qualidade.