Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 19/05/2021

O advento da revolução informacional intensificou os impactos nas relações econômicas e sociais dos indivíduos. Esses impactos, transfiguraram-se também ao âmbito educacional, quando se observa a popularização da educação a distância (EAD), via internet no Brasil. Sob essa perspectiva, pode-se dizer que a EAD deve ser revisada no país, pois apesar de ser uma forma de ensino mais adaptável, ainda se apresenta superficial devido à sua mercantilização.

Primeiramente, destaca-se que a educação a distância rompeu com as barreiras geográficas. Assim, a disseminação de informações através dela alcançou um considerável número de estudantes, já que a internet flexibilizou o ensino e o deixou mais atrativo para aqueles em que a distância ou a falta de tempo são entraves aos estudos. Ademais, atualmente, como a internet configura-se como mais acessível para as camadas da população, ela realiza um papel importante na democratização da educação. Como já afirmava o sociólogo Manuel Castells, é a descentralização do conhecimento garantida pela tecnologia que democratiza o ensino e atende as diferentes necessidades dos indivíduos. Logo, a EAD faz-se benéfica para muitos estudantes, uma vez que se adapta facilmente à rotina deles, considerando impasses como a distância, e cria uma rede de conhecimento acessível.

Outrossim, o conhecimento via internet fragmentou-se diante da mercantilização da educação a distância. Com efeito, os cursos EAD fazem ofertas imediatas no que concerne a capacitação profissional e aquisição de conhecimento, já que só basta um clique para acessá-lo. Por consequência a aprendizagem vira um produto e o ensino apresenta-se como vago e superficial, fator que esbarra na “Teoria da Complexidade” de Edgar Morin. O antropólogo diz que a educação deve ser multidisciplinar e optar pela complexidade para a construção do conhecimento, o que não se verifica no ensino online. Dessa forma, a superficialidade presente nessa forma de ensino carece de uma análise para que os estudantes obtenham uma transversalidade em sua educação, como já propunha o especialista.

Portanto, é indispensável a necessidade de combater a superficialidade presente na EAD, a fim de se promover uma educação de qualidade aos cidadãos brasileiros praticantes dessa modalidade. Para isso, é preciso que o Estado junto ao Ministério da Educação (MEC) crie um órgão público, com a função de fiscalizar e supervisionar os conteúdos e materiais fornecidos nos cursos EAD, verificando a aptidão desses materiais, além de transmitir segurança aos estudantes que optarem por essa modalidade. Nesse sentido, os conteúdos que se apresentarem incompletos serão substituídos por aqueles com tal qualidade. Dessa maneira, será possível constituir uma educação completa e multidisciplinar, que visa a excelência no ensino dos indivíduos brasileiros.