Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 20/05/2021

No ano de 1980, a palavra “globalização” passou a ser utilizada para descrever a interação socioeconômica, política e cultural presente na conjuntura global. Dessa forma, com o avanço dos meios de transporte e comunicação, regiões longínquas passaram a integrar-se plenamente. Nesse sentido, a Educação a distância (EAD) surge como uma das consequências desse processo, integrando indivíduos através de recursos tecnológicos para a transmissão de informações. Entretanto, na realidade brasileira, essa modalidade apresenta diversos desafios como a exclusão digital e a baixa qualidade do ensino em algumas instituições.

A priori, faz-se necessário destacar que um dos benefícios do ensino virtual é o rompimento de barreiras geográficas, uma vez que a democratização do acesso à educação permite que o conhecimento chegue à lugares afastados das grandes metrópoles. Contudo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020, o índice de pessoas sem acesso à internet em áreas rurais foi de 53,5%. Logo, percebe-se que apesar da função democratizadora exercida pela EAD, os habitantes de polos regionais distantes, em sua maioria, não possuem a infraestrutura básica e os bens materiais adequados para usufruir desse serviço, sendo excluídos social e digitalmente.

Além disso, a qualidade do ensino, do material e das aulas, oferecidos pelas plataformas digitais especializadas na educação online, é outro empecilho à consolidação dessa problemática. De acordo com o sociólogo Edgar Morin, a teoria da complexidade revela que, atualmente, o aprendizado é baseado na fragmentação do saber e não na sua análise como um todo. Sob esse aspecto, é possível concluir que a divisão do conhecimento como um método de aprendizagem é evidenciada na EAD, visto que o resumo demasiado de informações desencadeia, em alguns casos, na superficialidade do ensino não presencial, podendo ser prejudicial para a formação dos discentes.

Portando, é mister que o Estado tome providências para amenizar o cenário atual. Com isso, é de extrema importância que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação e Cultura, através da reestruturação das verbas educacionais, aumente a renda destinada às universidades, a fim de incluir um ensino a distância mais eficiente e garantir uma educação de qualidade aos estudantes. Somente assim, essa nova modalidade, decorrente do processo de globalização, funcionará de maneira adequada na contemporaneidade.