Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 12/08/2021

" Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo", disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de tecnologias, as fragilidades do ensino remoto funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de incentivo governamental e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, a restrição de prioridade que o corpo político impõe sobre a questão da educação via internet mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, “o governo deve garantir o bem-estar social”, ou seja, o órgão máximo da justiça deve proporcionar o convívio e a igualdade harmoniosa, o que não acontece no Brasil, visto que muitas pessoas não possuem condições de comprar ferramentas que possibilitem o ensino remoto — celular, internet, computador-, impedidas de desenvolver o senso crítico advindo com a aprendizagem. Por isso, essa negligência com a infraestrutura tecnológica terá como consequência uma sociedade mais desigual e um mal-estar civilizacional de desunião entre o corpo social e político, o que deve ser mudado para garantir a vida brasileira igualitária.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre a questão do ensino a distância apresenta-se como outro fator dificultador da resolução do empecilho. Conforme, Hannah Arendt, na teoria da Banalidade do Mal, o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com ideias cotidianas circulantes por ruas citadinas de que o ensino remoto não é tão efetivo quanto o presencial. Nesse sentido, essa ideologia tem origem em uma cultura de séculos de aulas em salas — presencial — em que o aluno deve ir até a escola, sendo enraizado e normalizado na educação familiar e identitária que essa é a única forma de aprender, omitindo outras formas, por exemplo, o online. Com isso, esse negaciosismo de mudança deve combatido para evitar que a população fique em repouso irracional, ou seja, não melhore o coletivo ao seu redor.

Portanto, medidas são necessárias para banir as fragilidades do ensino remoto brasileiro. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação realizar ações afirmativas para melhorar a infraestrutura tecnológica brasileira, com o “slogan”: “Educação é prioridade”. Esse projeto pode ser eito mediante o investimento monetário na compra de celulares, planos de internet e computadores para populações carentes que não têm condições de adquirir tais benefícios, visando a igualdade de acesso à educação, de modo que seja desenvolvido o ser pensante e crítico social, resultando na união de forças entre o corpo politico e coletivo para o desenvolvimento do bem-estar civilizacional.