Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 13/08/2021
Segundo o filósofo Pierre Levy, toda nova tecnologia cria seus excluídos. Nesse prisma, embora a ascensão da educação à distância trouxe uma nova oportunidade de acesso à educação ainda há desafios a serem superados, tais como a perspectiva preconceituosa com a formação online e a carência de internet em vários lares brasileiros. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes, respectivamente, na letargia social e na inoperância governamental.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar as origens e efeitos da ignorância social quanto às perspectivas da educação à distância no Brasil. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teoria e a realidade, haja vista que os brasileiros propagam uma banalidade afirmando que o diploma do ensino remoto é inferior ao do presencial, o que gerou frutos como a desqualificação de profissionais formados durante a pandemia, época que não é viável a instrução presencial. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, o senso comum prevalecerá e pessoas capacitadas continuarão a serem estigmatizadas no país.
Além dessa mácula social, também são preocupantes os desafios que a indiligência estatal representa à educação à distância. Nesse viés, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Infraestrutura tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as políticas públicas que garantem a democratização do uso da internet. Isso é perceptível, lamentavelmente, devido à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a qual concluiu que 1 em cada 5 cidadãos brasileiros não possuem acesso à internet. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza o ensino remoto para a população que não possui acesso à internet nos dias atuais.
Dessarte, fica claro que a gênese desse revés tem suas fundações na ignorância social aliada à inoperância governamental. Assim, urge que o Ministério da Cidadania promova a ascensão de bons profissionais formados pelo ensino remoto, por meio de vídeos em mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de dizimar a estigmatização de que profissionais formados pelo educação à distância (EAD) são inferiores. Outrossim, o Ministério da Infraestrutura deve ampliar o acesso à internet, com o fito de que todos tenham acesso à educação online. Espera-se, com isso, que esse novo ensino tecnológico não mais tenha seus excluídos.