Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 24/08/2021

A educação a distância, EAD, é uma metodologia de ensino introduzida nos Estados Unidos da América via correspondência. Outrossim, no contexto vigente, com o advento da internet e a modernização da tecnologia, o EAD se popularizou, tanto que, foi amplamente utilizado nos anos de 2019 a 2021 por conta da pandemia do COVID-19 que obrigou as escolas a se adaptarem a essa nova dinâmica. Todavia, há um antagonismo nesse sistema, visto que, embora tenha proporcionado novas perspectivas e oportunidades ao viabilizar o acesso à educação, ele pode intensificar a desigualdade social e a exclusão digital de áreas mais carentes.

Precipuamente, é indubitável que o ensino via internet é uma ferramenta que tem a capacidade de democratizar a educação para todos os cidadãos brasileiros. Sob esse viés, o EAD é flexível para pessoas que trabalham ou são impedidas de estudar, seja por dispensar constantes locomoções e ter valores de mensalidade mais acessíveis, seja por deixar sobre responsabilidade do aluno a administração do seu tempo. Com efeito, dados da Associação Brasileira da Educação a Distância comprovam o cenário supracitado, posto que foram matriculados 7 milhões de brasileiros em alguma modalidade de EAD em 2017. Por conseguinte, depreende-se que essa evolução educacional é a possibilidade encontrada pelos civis para alcançar os melhores cargos e o sucesso profissional.

Não obstante, o EAD é limitado por barreiras econômicas e estruturais, uma vez que a inovação tecnológica não chega, uniformemente, em todo o Brasil. Em consonância com o filósofo francês Pierre Bourdiel: “Aquilo que deveria ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. À luz desse raciocínio, o EAD, o qual deveria facilitar a educação, acaba por acentuar a desigualdade devido à dificuldade de algumas comunidades em ter disponível a internet e os aparelhos eletrônicos. Assim, a educação que antes servia para facilitar o desenvolvimento do tecido social, passa a oprimir a parcela da população que não pode aproveita-la.

Infere-se, portanto, que é de extrema importância que o Estado resolva os desafios no sistema de ensino a distância. Desse modo, o Ministério da Educação deve implementar um projeto de conhecimento para todos, mediante a petição de subsídios ao governo e a parceria com empresas privadas de tecnologia digital, no qual as escolas e universidades públicas do Brasil disponibilizam tabletes à estudantes, com dados móveis gratuitos, para viabilizar os estudos em casa de todos os alunos. Ademais, o governo municipal deve se comprometer em equipar e reformar todas as bibliotecas com internet e computadores de qualidade. Dessarte, espera-se, com isso, que os brasileiros possam desfrutar das perspectivas trazidas pelo EAD.