Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 30/08/2021

O protagonismo do mundo virtual durante a pandemia do novo Covid-19 escancarou a importância de se adaptar às novas tecnologias. Nesse sentido, a educação não é excluída desse processo, e a perspectiva é de que aconteça a implementação gradual do ensino a distância no Brasil. Contudo, é notório que a desigualdade social do país é um dos principais desafios para a sua concretização.

A priori, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, o conceito de Modernidade Líquida pode ser entendido como a compreensão de que o passado é caracterizado pela rigidez e solidez das estruturas e relações sociais, enquanto a contemporaneidade é marcada pela fluidez das mesmas. Dessarte, na atualidade, a internet garante o grande fluxo imaterial que marca a modernidade. Então, a perspectiva é que a educação acompanhe essa nova era ao implementar, de maneira gradual, as tecnologias no processo de aprendizado - segundo o site de notícias do g1, 21% do total do ensino superior do país estão matriculados em sistemas de ensino a distância. Isso ocorre porque o mundo digital proporciona rapidez no acesso e no compartilhamento de informações que antes (no passado sólido) eram limitadas. Como exemplo disso, pode-se citar a possibilidade de acessar lugares distantes, tais como museus, ou assistir palestras com especialistas.

Contudo, apesar de todos esses benefícios que a internet proporciona, se ela não for acessível a todos, pode aprofundar ainda mais as desigualdades sociais. Nesse sentido, o Índice de Gini, que calcula o grau de concentração de renda de um país, coloca o Brasil como uma das nações mais desiguais do mundo. Sendo assim, a população de baixa renda acaba não conseguindo ter acesso às tecnologias necessárias para acompanhar um sistema de educação a distância. Portanto, caso haja ampliação desse modelo, as desigualdades que marcam a sociedade podem se aprofundar ainda mais. Além disso, cabe lembrar que outros fatores também têm que ser levado em consideração, já que a comunidade menos economicamente privilegiada pode não ter acesso a um local de estudo adequado (silencioso, com luz elétrica, dentre outros fatores), o que pode prejudicar o aprendizado.

Em suma, apesar da perspectiva de implementação gradual do ensino a distância no Brasil, a desigualdade social precisa ser amenizada antes que esse modelo seja aplicado. Portanto, cabe ao Estado e às instituições privadas de ensino assegurar que a educação chegue a todos de forma plena, por meio da garantia do acesso às condições e aos equipamentos adequados para a aprendizagem, como por exemplo às redes de wifi e notebooks, além disso, ao espaço adequado de estudo para aqueles que necessitam, a fim de que, com tais ações, haja a democratização da educação para todos e não para poucos.