Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 01/09/2021
A educação a distância não é uma novidade no meio acadêmico, nos anos de 1978 o telecurso 2000 — programa educacional que viabilizava ensinar por meio da internet — tinha um papel importante e inovador no meio educacional brasileiro. Hodiernamente, o EAD tem tomado grades proporções na educação, porém, ainda existem adversidades que impedem que este método de ensino seja tão eficaz quanto a modalidade de ensino presencial.
Á princípio, a resistência do mercado em relação aos profissionais formados pelo Ead atua como entrave no desenvolvimento desse modelo. De acordo com o ator Paulo Autran, todo preconceito é fruto da ignorância. Seguindo esse raciocínio, a sociedade ainda cultiva aversão à educação a distância, método relativamente recente, o que gera estranheza e desconfiança em contratar graduados nesse meio. Desse modo, muitas empresas consideram alunos do ambiente virtual como “preguiçosos” e, assim, inferiores aos das aulas presenciais, embora dedicação e disciplina sejam traços marcantes da realidade Ead.
Outrossim, observa-se que, em casos de pandemias, em que, são relevantes a utilização do ensino remoto emergencial, vê-se que, a grande parte da população brasileira não tem acesso à internet e aos meios digitais necessários. Conforme o (IBGE), o total de 45,9 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018. Este número corresponde a 25,3% da população com 10 anos ou mais de idade. Vale salientar que, o Brasil não possui políticas públicas que invistam na educação de base que tornem possível o acesso à internet e aparelhos tecnológicos para essas pessoas. Constata-se assim, segundo o jornalista carioca Arnaldo Jabor que, “O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados”.
Por fim, fica evidente que, são necessárias medidas capazes de mitigar a questão dos desafios do Ead no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação em parceria com o Poder Público, proporcione normas de melhoria e invista na implementação de recursos que tornem a educação a distância mais acessível e eficaz. Isso pode ser feito por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentais e na fiscalização do recolhimento de impostos que, de modo a serem utilizados como verba para a adequação de recursos tecnológicos nas instituições de ensino básico e a contratação de uma rede fixa ou móvel de baixo custo para todos os 25,3% de brasileiros que não possuem acesso à internet. Além disso, o Governo federal, deve integrar mais pessoas pertencentes a essa área ao mercado de trabalho, por incentivos fiscais, às empresas que aceitem essa modalidade, de modo a diminuir a desconfiança da população em relação a esse veículo e mitigar tais problemáticas vigentes.