Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 06/10/2021

A expressão “Atitude Blasé”, cunhada pelo sociólogo alemão Georg Simmel, busca representar a indiferença projetada no comportamento da sociedade, que a torna incapaz de reagir diante de problemas sociais. Essa caracterização da conduta social simboliza a apatia populacional diante dos desafios do ensino remoto no Brasil contemporâneo, uma vez que é justamente essa indiferença que inviabiliza a construção de caminhos para combater os impasses na educação a distância. Nesse contexto, a questão tem como origem inegável a negligência do Estado, que se mostra omisso no meio educacional. Assim, não só a desigualdade social, como também a concepção meritocrata aprofundam esse panorama.

O desequilíbrio socioeconômico, nesse sentido, cristaliza a questão do ensino remoto no país. Isso acontece porque o Estado brasileiro é utilizado como ferramenta de manutenção de um imaginário desigual, que desfavorece pessoas de baixa renda e que não instrumentaliza a legislação que prevê o processo de ensino-aprendizagem como um direito a ser democratizado. Dessa forma, a carência infraestrutural prejudica a viabilidade de acesso às aulas, bem como aos materias, tanto para estudantes quanto para professores, que acaba por afastar predileções populacionais desta alternativa de formação educacional.

Além disso, a meritocracia é outro fator que solidifica os problemas associados ao EaD na sociedade brasileira. Desse modo, um sistema baseado em merecimento pessoal é incabível quando o Estado se ausenta da responsabilidade de assegurar a igualdade a todos. À vista disso, o acesso assimétrico aos recursos de uma minoria em relação aos demais gera um conflito, visto que, em um Estado democrático, todos devem participar igualmente, mas a falta de recursos e acesso influencia direta e indiretamente na atuação dos indivíduos. Assim, fica claro que a concepção meritocrata naturaliza, entre outros problemas, o pouco empenho das instituições governamentais em combater os desafios na formação a distância.

Mediante o exposto, é notório que a questão é importante e deve ser resolvida. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão de maior relevância no âmbito educacional nacional, facilitar e garantir o acesso às aulas por meio de programas de auxílio digital, para que alunos de baixa renda possam receber bolsas de estudos e, consequentemente, ter o acesso minimamente adequado às atividades. Dessa forma, espera-se  que os desafios sejam reduzidos e as perspectivas sejam farováveis a todos os que dependem desse sistema de ensino.