Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 23/09/2021

Na obra naturalista “A origem das espécies” do britânico, Charles Darwin, é defendida a teoria da evolução das espécies, na qual é discutido que o organismo mais adaptado ao meio tende a propagar-se com mais eficiência. Paralelamente a isso, o sistema de ensino brasileiro hodierno passa por uma profunda transformação, adaptando-se a modalidade de educação a distância, não só em razão do avanço tecnológico e suas expectativas, mas também devido ao cenário desafiador da pandemia do novo coronavírus. Logo, faz-se imperiosa a análise desses fatores para compreender os impactos desse modelo de instrução na sociedade.

Em um primeiro momento, vale ressaltar que o ensino remoto é uma ferramenta de crescimento para a população mais madura. Sob esse viés, uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo revela que estudantes universitários inscritos na modalidade de ensino a distância (EaD) têm, em sua maioria, 26 a 40 anos. A partir desse dado, pode-se extrair uma conclusão otimista, pois indivíduos dessa faixa etária muitas vezes têm rotinas mais restritivas que os jovens vestibulandos, logo a educação remota revela-se como um excelente mecanismo de capacitação daquele grupo.

Deve-se abordar, ainda, que durante a pandemia do coronavírus, as escolas foram obrigadas a migrar para a modalidade de ensino a distância por efeito do isolamento social, entretanto, as instituições públicas demoraram meses para ofertar esse tipo de educação. Nesse sentido, na teoria de percepção do estado da sociedade de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, ficam visíveis os desafios enfrentados por parte significativa da população, a qual permaneceu excluída por muito tempo do EaD.

Diante do exposto, são evidentes as perspectivas e os desafios para o ensino via internet no Brasil. Para tornar a educação a distância mais eficaz e mais inclusiva, cabe ao Ministério da Educação fiscalizar de maneira rigorosa o desempenho dos cursos, por meio de avaliações recorrentes do corpo docente. Esses testes deverão ser aplicados a cada semestre letivo, com o objetivo de mensurar a capacidade dos professores e o nível de evolução dos alunos. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, por intermédio de incentivos fiscais, invista em programas sociais para acesso de qualidade à internet, a fim de que haja maior democratização da modalidade EaD. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade mais adaptada aos novos tempos tecnológicos.