Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/09/2021

A pandemia do Coronavírus, que atingiu o mundo em 2020, ocasionou mudanças nos métodos pedagógicos, os quais passaram a ser remotos. No Brasil, essas adaptações proporcionaram uma maior democratização da educação. No entanto, os índices da exclusão digital aumentaram, o que revela que, mesmo com a perspectiva de tornar o ensino ampliado à população, o difícil acesso aos recursos tecnológicos é prejudicial, provocando, por conseguinte, a necessidade de um debate acerca dos aspectos da educação a distância (EAD).

De início, é fundamental destacar a maior acessibilidade à educação como um ponto positivo da modalidade não presencial. Isso porque uma das possibilidades dessa ferramenta é a ampliação do ensino a regiões remotas. Assim, os discentes, ao terem contato com as plataformas educacionais virtuais, tornam-se protagonistas de suas trajetórias escolares, o que pode ser relacionado com o conceito de educação emancipadora, criado pelo educador pernambucano Paulo Freire, já que é uma forma de adquirir conhecimentos com maior autonomia e que é capaz de promover a ascensão social e intelectual. À luz disso, fica claro que as aulas não presenciais representam uma forma de democratizar o ensino e, por conseguinte, são importantes socialmente.

Entretanto, apesar da possibilidade de tornar popular a educação, o EAD enfrenta alguns obstáculos, principalmente no que tange à exclusão digital. Isso pode ser explicado pelo fato de que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um a cada 5 brasileiros não tem acesso à internet no Brasil. Dentro dessa conjuntura, fica evidente que existe uma limitação quanto à cobertura de recursos tecnológicos essenciais ao ensino virtual. Dessa forma, a determinação da Organização das Nações Unidas (ONU) de que o alcance da internet é um direito humano do século XXI, não se cumpre. Sob essa ótica, o índice de desigualdade de oportunidades demonstra que diversos cidadãos não têm iguais oportunidades de introdução à educação on-line, o que precisa, consequentemente, ser combatido.

Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para potencializar todos os recursos oferecidos pelo EAD. Logo, compete ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de um projeto de lei enviado à Câmara dos Deputados, estabelecer “hotspots” de acesso à internet, isto é, pontos de conectividade gratuita, em locais públicos, como praças e parques, principalmente em regiões menos atendidas pelas grandes operadoras de serviços tecnológicos, com o fito de reduzir as desigualdades de alcance digital e, dessa maneira, democratizar a educação virtual de maneira plena, tal qual determina a ONU.