Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 01/10/2021

Ao longo do século XX, a educação a distância (EAD), no território brasileiro, ocorreu via carta, rádio, TV, fita VHS, ou seja, não é um fenômeno exclusivo da pós-modernidade, que se distingue do processo passado pelo veículo célere de transmissão de conteúdo – a internet. Sendo assim, dada a proporção continental do Brasil, o EAD é relevante à construção do conhecimento, pois viabiliza a chegada do ensino em lugares de difícil acesso e mobilidade. No entanto, tal conjuntura apresenta como principais dilemas: a não inclusão digital de classes desprivilegiadas e a superficialidade, em parte, do conhecimento disseminado, produto do imediatismo cibercultural.

De acordo com o marxismo, os seres sociais são cerceados pelo sistema do capital, responsável por potencializar as desigualdades socioeconômicas, visto que adquire sua vitalidade na exploração das forças produtivas e na extração da mais-valia. Desse modo, a desigualdade econômica dificulta a aquisição, pelas classes menos favorecidas, de infraestrutura digital como internet, notebook, entre outros aparatos tecnológicos, o que compromete o acesso ao conhecimento e potencializa, a longo prazo, a imobilidade entre os estratos sociais. Além disso, o vilipêndio da estrutura das escolas públicas, quando atrelado à exclusão digital, fomenta o crescimento dos índices de violência - majoritariamente fruto do não acesso ao conhecimento crítico -, pois relega os indivíduos à margem da sociedade.

Por outro lado, a descentralização do conhecimento, preconizada pelo sociólogo Manuel Castells, amplia a rede e as trocas de saberes entre culturas distintas. Porém, devido à freneticidade do fluxo de informação e às interferências do capitalismo, alguns conteúdos são tratados superficialmente, outros são deturpados, o que compromete a construção do saber e estimula a alienação social. Dessa maneira, embora a internet possibilite a disseminação do ensino, a exclusão ao acesso amplo e a não profundidade de certos assuntos tratados representam entraves à garantia da liberdade e da dignidade humana, haja vista que o conhecimento genuíno é libertador e transformador do meio sociocultural.

Logo, a fim de viabilizar o acesso ao ensino digital, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais, promova o desenvolvimento, nas escolas públicas, de infraestrutura tecnológica e de centros gratuitos de acesso à internet, por meio de um maior repasse fiscalizado de capital à área da educação. No entanto, tais medidas só se efetivarão, amplamente, por intermédio de uma justiça fiscal, a qual reduza as desigualdades socioeconômicas, garanta uma equiparação de renda, e, por conseguinte, proporcione a reconstrução da liberdade e da dignidade humana.