Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/10/2021

A Constituição Federal, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu 6° artigo a educação como direito de todos que deve ser assegurado pelo poder público. No entanto, a realidade prática não vigora como determinado teoricamente, visto que no Brasil o acesso à educação a distância é limitado. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema gerado tanto pela desigualdade social tanto pela limitação tecnológica informacional.

Convém ressaltar, a princípio, que a iniquidade de recursos é fator determinante para a existência da problemática. Consoante a uma matéria veiculada em 2019 pelo G1, portal de notícias do Grupo Globo, há mais de 1 milhão de alunos matriculados em cursos não presenciais. Apesar da quantidade, grande parte da população é excluída dessa modalidade, uma vez que ela necessita de equipamentos eletrônicos,  tais como computador e celular, para ser realizada. Sob esse viés, grupos sociais de condição financeira inferior são colocados à margem, o que demonstra incúria governamental, porque a Constituição não está sendo obedecida.

Ademais, ressalte-se que a baixa habilidade tecnológica por parte dos docentes e discentes também é um impasse a ser enfrentado. Conforme o filósófo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu conhecimento sobre o mundo, ou seja, a ação do corpo social é delineada por seu entendimento. Por essa ótica, infere-se que a realidade brasileira apresenta menor qualidade educacional, pois, a inabilidade dos professores e alunos no sistema de aprendizado “online” resultam em menor aproveitamento do momento de estudos. Dessa forma, é fundamental a reversão desse quadro lamentável.

Portanto, torna-se evidente que a educação a distância no Brasil possui caminhos que necessitam ser percorridos. Para que isso ocorra o Governo Federal deve agir oferecendo subsídios com a finalidade de comprar acessórios tecnológicos, sendo, estes, distribuídos pelas Secretarias Estaduais de Educação aos alunos vulneráveis socioeconomicamente. Ainda, faz-se necessário a criação de cursos gratuitos demonstrando de forma prática e simples a utilização de programas e softwares que serão usados na aula “online”, os mesmos devem ser destinados aos docentes e, também, aos discentes. Assim, espera-se que o cumprimento da Carta Magna seja efetivo.