Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 04/10/2021
No filme “O menino que descobriu o vento”, baseado em fatos reais, o jovem William sonha em estudar para construir um moinho que forneça água à sua comunidade empobrecida. Assim como o personagem, muitas pessoas consideram a educação um meio de transformar o mundo e, nesse sentido, o ensino a distância é um forte aliado. Entretanto, desafios como a segregação social e a falta de adaptação tecnológica precisam ser minimizados, a fim de tornar esse aparato acessível a todos, na perspectiva de que ele contribui para o desenvolvimento.
Em primeira análise, o romancista Aluísio de Azevedo denunciava, já no século XIX, em sua obra “O cortiço”, a segregação social brasileira, presente até a atualidade. Nesse contexto, é ocasionada uma grande concentração de renda que, segundo o Índice de GINI, coloca o Brasil entre os dez países mais desiguais do mundo. Dessa forma, a parcela menos favorecida da população não tem condições de pagar pelas ferramentas tecnológicas necessárias para um ensino não presencial de qualidade. Nessa visão, a educação a distância não torna-se acessível aos indivíduos que dela necessitam, seja por dificultades financeiras ou locomotivas, o que retarda, concomitantemente, o desenvolvimento.
Outrossim, a escassez de medidas adaptativas que facilitem o trabalho dos professores e a aprendizagem contribui, entre outras coisas, para a permanência de um EAD-Ensino a Distância-, não efetivamente funcional. Sob tal óptica, não são necessárias, somente, ferramentas de informática que permitam flexibilidade nos estudos, mas materiais tecnológicos que, além disso, permitam ampla construção de conhecimento para os estudantes, bem como interatividade com os professores. Os poucos investimentos para que isso aconteçam dificultam um bom ensino não presencial e, nesse prisma, a educação democrática como um todo. Esse desafio é carente de correção, de modo a superar barreiras e garantir a evolução social, em consonância com o pensamento de Malala Yousafzai , jovem ativista laureada, em 2014, com o Prêmio Nobel da Paz, que versou: “A educação é a única solução.”.
Destarte, é impescindível que os desafios da segregação social e da escassa adaptação tecnológica sejam minimizados, de modo a tornar a perspectiva transformadora da educação a distância o foco. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelas diretrizes educacionais do Brasil deve, por intermétido das empresas de tecnologia, fornecedoras de artigos de informática, garantir o acesso a programações e ferramentas de ensino de qualidade, tais como plataformas digitais bem estruturadas e computadores. Quiçá, essas medidas instigarão, para todos que precisam, mais acessibilidade à educação não presencial, de modo a garantir o desenvolvimento e, assim como foi para William, a transformação de uma sociedade sofredora.