Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/10/2021

De acordo com Steve Jobs, magnata americano, a tecnologia move o mundo. Sob essa perspectiva, o advento e a popularização da internet permitiu a criação de uma modalidade inovadora de ensino, que consiste na educação a distância. Destarte, é fulcral destacar que, embora ela promova a democratização do estudo, ainda encontra desafios no que diz respeito ao acesso igualitário à rede. Assim, para maximizar os benefícios da “web” no aprendizado, deve-se superar esse entrave.

Em primeiro plano, é mister analisar que o ensino digital amplia o acesso à educação. Nesse sentido, o pedagogo Paulo Freire afirmou que o estudo tem o poder de transformação na vida dos estudantes, na medida em que, além de permitir o acúmulo de conhecimento, possibilita a ascensão social das classes mais pobres, resultando em uma diminuição, lenta e gradual, da desigualdade no país. Dessa forma, a fim de viabilizar a democratização do estudo, as aulas virtuais são duplamente positivas, pois garantem, não só o aprendizado do maior número de pessoas, mas também cursos de qualidade a preços baixos, o que assegura que os estratos menos abastados estudem e consigam competir no mercado de trabalho, de igual modo, com as pessoas dos grupos mais ricos. Exemplo dessa característica positiva pode ser vista nos cursinhos online, como o Descomplica e o Stoodi, que ofertam aulas excelentes, com valores que variam entre 10 e 30 reais.

Ademais, em segundo plano, é imperioso pontuar que a falta de acesso igualitário à internet limita as potencialidades do ensino a distância. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo contemporâneo, a violência simbólica é uma agressão moral contra as minorias. Em analogia ao teórico, o Governo, ao negligenciar as diferentes realidades brasileiras, exerce esse papel de agressor na vida dos cidadãos, haja vista que não busca formas de ampliar e baratear a rede nas regiões periféricas, inviabilizando que os indivíduos dessas áreas usufruam dos benefícios do mundo cibernético, de maneira que não conseguem entrar no círculo virtuoso proposto por Paulo Freire. Tal cenário pode ser visto da pesquisa feita, em 2019, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual afirmava que 40 milhões de brasileiros não tinham contato com o mundo digital.

Portanto, a fim de resolver os desafios enfrentados pelo ensino à distância, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério de Infraestrutura, ofereça incentivos fiscais às empresas privadas responsáveis pela internet no país, por meio da redução de impostos na compra de fios e postes, por exemplo, para que eles consigam baratear o custo às famílias carentes e ampliem a quantidade de regiões alcançadas por essa ferramenta. Assim, o país dará um primeiro passo à efetivação da EAD, e a tecnologia moverá o Brasil ao patamar que Steve Jobs propôs.

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