Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Com o advento da Revolução Técinico-Científica, no século XX, ocorreu a inserção da tecnologia na dinâmica da sociedade, a qual possibilitou, por exemplo, o surgimento de novas modalidades de aprendizagem- desvinculando-se da convencional- como o ensino a distância- EAD. Hodiernamente, popularizado no Brasil, tal ensino, em razão da exclusão digital e da escassa capacitação dos professores tradicionais, traz questionamentos acerca da sua funcionalidade. Logo, são necessárias ações estatais a fim de viabilizar o funcionamento das perspectivas positivas do EAD no país.
Em primeiro plano, é imperioso salientar que a eliminação das barreiras físicas entre professor e aluno é impossibilitada pela falta de acesso à internet, a qual favorece a marginalização do grupo de alunos financeiramente carentes. Conforme afirma o filósofo Pierre Levy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”, ou seja, antes de existirem os celulares, por exemplo, não existiam pesssoas sem celular, logo é possível observar que a problemática da exclusão digital não é resolvida- exclusivamente- com o acesso aos meios tecnológicos, mas com as condições para obtê-los. Dessa forma, são necessárias ações no tocante ao cerne dessa adversidade: a desigualdade social.
Ademais, é conveniente destacar que, muitas vezes, a funcionalidade da aprendizagem a distância é comprometida pela precária capacitação profissional e tecnológica dos profissionais de ensino, os quais- ainda- possuem uma forma tradicional de transmitir o conhecimento. Sob esse viés, o patrono da educação brasileira Paulo Freire afirma que “ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para sua produção ou construção”, entretanto a desvalorização do incentivo à capacitação do professor convencional impede que, consoante a Freire, a transmissão de conhecimentos seja apoiada às novas bases do saber. Destarte, faz-se imperativa uma mudança de postura do Estado a fim de institucionalizar novas perspectivas ao ensino a distância no Brasil.
Portanto, a fim de viabilizar o funcionamento da nova modalidade de educação, o EAD, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela promoção de benefícios assitenciais para a população financeiramente carente, invista, por meio de verbas,no combate ao cerne do problema da exclusão digital: a desigualdade social do país. Além disso, compete ao Ministério da Educação, cuja função é formular políticas relativas à educação nacional, a capacitação dos professores convencionais e , consequentemente, a adequação às novas bases do saber, como o EAD. Somente assim, pode-se-á usufruir dos avanços tecnológicos advindos da Revolução Técnico-Científica e combater os desafios que dificultam a funcionalidade do ensino a distância no Brasil.