Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/10/2021
A Revolução Técnico-Científica, ocorrida a partir de 1990, popularizou artigos tecnológicos e de comunicação, como computadores e celulares. Essa dinâmica propiciou o avanço dos cursos à distância, sobretudo por seu caráter mais econômico em relação à formação presencial tradicional. Contudo, as perspectivas da educação à distância no Brasil são duvidosas, já que a modalidade encontra desafios relacionados a sua qualidade e acentuada desigualdade econômica nacional.
A partir dessa análise, cabe pontuar o desenvolvimento da educação à distância no país. De acordo com o portal de notícias G1, o número de alunos matriculados em cursos à distância aumentou cerca de 5 vezes em 10 anos, conforme censo do Inep. No entanto, apesar da rápida expansão da modalidade, muitos cursos disponíveis possuem qualidade insatisfatória para uma boa formação profissional. Desse modo, muitos alunos, principalmente de disciplinas que exigem múltiplas exposições práticas, concluem os cursos com formação deficitária para atuarem no mercado de trabalho.
Ademais, destaca-se o caráter menos oneroso da educação remota. Friederich Engels, em “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, destacou que, no século XIX, o acesso à educação limitava-se aos filhos da elite empresarial com capital disponível para escolarização. Nessa perspectiva, percebe-se que, no Brasil, a educação à distância, embora acessibilize o ensino superior, ainda envolve custos consideráveis, haja vista que depende de aparelhos e planos de internet distantes da realidade de vários brasileiros. Como consequências, muitos jovens e adultos de classes mais vulneráveis socioeconomicamente ficam à margem de uma formação profissional.
Entende-se, portanto, que a educação à distância enfrenta desafios vinculados ao insatisfatório serviço por vezes oferecido e ao baixo poder aquisitivo de uma parcela da população. A fim de atenuar o impasse, o Ministério da Educação, responsável pela regulamentação da educação nacional, pode, por meio de uma avaliação criteriosa, averiguar os cursos disponibilizados no mercado, além de aumentar o número de horas presenciais nos cursos dependentes de prática, com vistas à formação de profissionais realmente qualificados para o atendimento das necessidades sociais. Além disso, as escolas podem, fora do período escolar, disponibilizar suas salas de informática e equipamentos aos interessados em uma formação remota, mas sem acesso à internet para tal. Dessa forma, a educação à distância terá, gradativamente, perspectivas promissoras no Brasil.