Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 05/11/2021

Assim como afirma o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele e, nos dias de hoje, a humanidade se depara com um novo modo de educar: o ensino à distância. No entanto, à sociedade brasileira, o impasse é maior visto que o coloquial “EAD” é uma união entre educação e tecnologia, em uma sociedade que mais de quarenta milhões de pessoas não tem nem acesso à internet. Pode-se dizer, então, que a falta de infraestrutura que suporte essa nova ferramenta e o modo de organização social são os principais agravantes do cenário atual.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar como a precariedade da infraestrutura social e dos investimentos governamentais para aumentar o acesso da população às tecnologias afeta diretamente o funcionamento do ensino à distância no Brasil. Durante a pandemia do coronavírus, cerca de 5,1 milhões de estudantes matriculados não tiveram acesso as atividades escolares pelos mais variados motivos como falta de acesso à internet ou a eletrônicos que acessam as plataformas. Devido à negligência e elitização da tecnologia, torna clara a impraticabilidade dessa forma de ensino, evidenciada pelo ocorrido no ano de 2020. Dessa forma, o “EAD” se torna mais uma ferramenta excludente, acentuando as desigualdades do país.

Não apenas, em segundo lugar, é imprescindível erguer a relação entre o modo de organização social baseado em princípios capitalistas e a escassez igualitária contemporânea. Tal como afirma o filósofo Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta com a valorização do mundo aumenta conforme a valorização do mundo das coisas. Ao passo que o dinheiro, o consumismo e a dinâmica de dominação do homem sob o homem é colocada como prioritária, a humanização de esvai, dando forma de privilégio os direitos básicos de um cidadão, como o acesso à educação de qualidade. Assim sendo, é fundamental a união da sociedade em proveito da garantia do que os são merecidos por direito.

Portanto, infere-se que o funcionamento ensino à distância, uma ferramenta propícia, no Brasil, tornando-se supressora, é um verdadeiro impasse público. Sendo assim, para que nenhum constituinte seja injuriado e privado de nenhuma condição vital ao ser humano, urge que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, atuem em prol da população por meio de leis que diminuam o valor de eletrônicos utilizados para fins educacionais - como computadores, tablets, pacotes de internet, além de aulas de informática- transformando, assim, a ferramenta do EAD como uma forma de beneficiar a população como um todo.