Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 06/11/2021

A Terceira Revolução Industrial foi responsável pelo avanço da tecnologia no mundo e a maior difusão de informação. E como reflexo desse cenário, houve o crescimento da educação a distância, que apesar de contribuir para a maior inclusão educacional, enfrenta uma persistência de desafios, devido à falta de democratização de infraestrutura tecnológica no Brasil.

Em uma primeira perspectiva, o sociólogo francês Pierre Lévy propôs o conceito de cibercultura, em que a interação entre pessoas no espaço virtual promove um fluxo de conhecimento. De maneira análoga, a educação a distância (EAD) permite a diminuição das barreiras geográficas entre os alunos e as instituições de ensino, sendo  capaz de aumentar o contato com informações on-line e estimular a inclusão educacional. Uma vez que, de maneira flexível, proporciona uma alternativa para pessoas que não possuem grande carga horária disponível para estudar ou que residem em locais distantes da escola física. Sendo assim, é notório como o EAD contribui, positivamente, para a inclusão educacional.

Em uma segunda análise, no entanto, a garantia da Constituição Federal de 1988, que afirma ser direito de todos o acesso à educação, não é, de fato, concebida, integralmente, no Brasil. Isso ocorre devido à falta de democratização dos aparelhos tecnológicos, pois muitos brasileiros não possuem condições financeiras para comprar computadores e celulares. Além disso, algumas regiões do país, como norte e nordeste, não recebem grandes investimentos estatais em infraestrutura para oferecer internet pública de qualidade aos indivíduos, como por exemplo, dados do Istituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cerca de 40 milhões de pessoas não possuem acesso à internet, em 2018, no Brasil. Dessa maneira, a exclusão digital representa um desafio para a consolidação dos benefícios do EAD na sociedade de forma igualitária.

Portanto, é evidente que os desafios para alcançar, de forma efetiva, uma educação a distância democratizada, no Brasil, devem ser combatidos. E para isso, cabe ao Ministério da Educação disponibilizar recursos financeiros para criar centros gratuitos de informática em regiões marginalizadas e periféricas, como o norte brasileiro, por meio de subsídios que ofereçam isenções fiscais para empresas que queiram construir pontos de fornecimento de internet nesse lugares. Detalhadamente, essa ampliação ocorrerá com a disponibilidade de rede para navegação virtual em praças, além de fornecer um maior número de computadores em centros culturais e escolas públicas. Nesse sentido, todos os cidadãos terão acesso à infraestrutura tecnológica e a possibilidade de usufruir dos benefícios do EAD.