Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 09/11/2021

No início do século XXI a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o acesso à internet é um direito humano, uma vez que por meio dessa rede há a possibilidade de garantir ferramentas de aprendizagem. Nesse sentido, tal medida promoveu a adoção da educação a distância (EAD) por diversas instituições nacionais. Entretanto, apesar das inúmeras potencialidades promovidas pelos ambientes digitais, como a diversidade de recursos pedagógicos, a exclusão digital é uma tortuosa realidade brasileira.

Primeiramente, é importante ressaltar os aspectos positivos do sistema remoto educacional. Segundo o filósofo e sociólogo Pierre Lévy, a “virtualização” é um processo ampliador da espacialidade e temporalidade. Isso porque as plataformas virtuais permitem uma multiplicidade de elementos, ou seja, a diversificação dos mecanismos de ensino a partir do amplo uso de vídeos, áudios e textos interativos, pouco explorados no ensino presencial. Somado a isso, outra vantagem é a adequação individual do cronograma letivo, permitindo uma grade curricular mais flexível à ser desenvolvida durante o tempo de estudos. Dessa forma, o discente é o protagonista no EAD, permitindo um desenvolvimento adequado com as novas tecnologias informacionais.

Em segunda análise, o Brasil carece de uma popularização ao acesso das redes digitais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 40 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet. Nesse sentido, torna-se evidente a falta da democratização dos serviços eletrônicos promovidos pelo setor de comunicação, o que prejudica diretamente a promoção do ensino a distância. Logo, essa grave situação demonstra que uma grande parcela da população é marginalizada e excluída dos ambientes remotos contrariando, assim, o direito assegurado pela ONU.

A partir dessas considerações, é necessário que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos negativos. Portanto, com o objetivo de aumentar os indíces de brasileiros conectados na internet, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com o Ministério das Comunicações, deve adequar locais públicos - como ruas, praças e ambientes de lazer - para receber sinais de rede “Wireless” por meio da aquisição de produtos específicos na ampliação do sinal digital. Além disso, é importante realizar uma capacitação técnica para os profissionais do meio educacional, com a finalidade de adequar as novas linguagens eletrônicas. Desse modo, o país poderá garantir aos brasileiros os direitos humanos preconizados pela Organização das Nações Unidas.