Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 11/11/2021
Desde a Revolução Industrial o ser humano demonstra dificuldade em acompanhar o ritmo do desenvolvimento tecnológico, haja vista os inúmeros acidentes que ocorreram nas fábricas devido a inaptidão dos operários. Paralelo a isso, observa-se hodiernamente no Brasil o aumento da modalidade de ensino a distância (EAD), ocorrida graças as evoluções tecnológicas. No entanto, parte desse progresso está sendo postergado devido às dificuldades na implementação dessa modalidade, ocasionada não só pelo seu acelerado crescimento, como também sua baixa qualidade de ensino.
Mormente, é significativo ressaltar que o interesse na democratização da educação não é recente e remonta ao Iluminismo, quando os filósofos Diderot e D’Alembert desenvolveram a primeira enciclopédia; ambos tinham o interesse em aumentar o nível de instrução naquela época. Portanto, é natural o atual crescimento do modelo EAD, que teve um aumento de 27% em 2019 de acordo com dados do IBGE e possibilita um maior acesso da população ao conhecimento por conta das facilitações de valor e comodidade. Ademais, essa eclosão acelerada, apesar de ter o benefício democratizante supracitado, vem acompanhada da falta de expertise das instituições e dos profissionais, em ministrar essa modalidade de forma plena.
Por conseguinte, é importante que seja feita uma análise dos dados que comprovam a insuficiente qualidade do ensino a distância no Brasil. De acordo com informações do ENADE, 75% dos concluintes de cursos EAD estão abaixo da pontuação 50, em uma escala de 0 a 100. Desse modo, esses fatos revelam a baixa aptidão das instituições de ensino remoto na formação de profissionais qualificados, algo que pode atrapalhar tanto o indivíduo que busca sua profissionalização, quanto a sociedade como um todo, que pode ser prejudicada por essa mão de obra desqualificada presente no mercado.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação elabore um projeto de controle de qualidade do modo EAD. Por meio de um direcionamento de profissionais da área da pedagogia e educação no geral. Destarte, será exigido uma comprovação de maiores rendimentos dos alunos, bem como um percentual maior de atividades presenciais nos cursos que precisarem, além de uma melhor qualificação dos docentes. Afim de que, se possa reivindicar melhorias das instituições que não se adequarem aos níveis exigidos, sob pena de multa ou suspensão de suas atividades. Dessa forma, se poderá atingir a melhoria no grau de instrução da população que Diderot e D’Alembert idealizaram durante o Século das Luzes.