Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 29/04/2022

A educação a distância (EaD) é uma forma de ensino-aprendizagem medida por tecnologias que permitem que o professor e o aluno estejam em ambientes físicos e temporais diferentes. Apesar de a EaD oferecer a possibilidade de levar a educação a indivíduos historicamente excluídos socialmente, do modo como essa se dá hoje, ainda é alvo de preconceito e enfrenta como obstáculos, a exclusão digital e o sucateamento dos cursos.

Primeiramente, nota-se que a questão da EaD no Brasil oferece algumas vantagens. Uma delas é a maior acessibilidade temporal, quer dizer, o aluno é quem decide o horário em que vai estudar, sendo assim, vantajoso para aqueles que pricisam conciliar mais de uma ou várias jornadas em seu dia a dia. Dados do Censo de 2015-EaD revelam que 53% dos estudantes matriculados são mulheres e 49,78% tem entre 31/40 anos e 70% estudam e trabalham. Ademais, a multimodalidade, ou melhor, a diversificação dos estímulos educativos torna o ensino mais complexo e sofisticado; portando, em geral, mais enriquecedor. Segundo o sociólogo Manuel Castells, que aborda o tema em sua obra, tais estímulos são regularmente limitados na sala de aula tradicional, como hiperlinks, vídeo, áudio e conferências.

Segundamente, entretanto, esse modelo apresenta alguns desafios no que diz respeito ào seu desenvolvimento. Ainda predomina na sociedade brasileira a ideia de que a EaD é necessariamente uma formação de má qualidade. E isso, em geral, é um reflexo do sucateamento histórico desse ensino, que deve ser combatido. Além disso, infelizmente, observa-se um certo mercantilismo educacional; a EaD sendo sucateada ser um jeito de maximizarem os lucros dos grupos educacionais. Ainda existe, a exclusão digital, isto é, a falta ou insuficiência na aquisição de equipamentos tecnológicos e de serviços de qualidade de acesso à internet. Vivenciada por indivíduos em vulnerabilidade financeira ou que residirem em regiões desfavorecidas do Brasil, onde o acesso à banda larga é de baixa velocidade ou ele não existe.

Em conclusão, a partir dessas considerações, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunições, com o objetivo de amenizar o problema, devem investir na compra e empréstimo de equipamentos - como computadores e tablets - e de planos de internet residenciais, escolares e comunitários de baixa renda, por meio da ampliação de incentivos financeiros, a fim de otimizar o aprendizado da população em vulnerabilidade financeira no país. Eles devem também, se envolver na expansão de programas e cursos de treinamento e capacitação profissional para a EaD, formar, por exemplo, professores nessa área. E por fim, investir na divulgação das regras da EaD no Brasil.