Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 21/05/2020

A internet foi criada em 1968, nos Estados Unidos, e tinha como função, primordialmente, interligar laboratórios de pesquisas, porém, o seu uso foi expandido para outras áreas e visto como uma incrível ferramente de impulsão de movimentos. Nesse sentido, nota-se a importância da utilização dos meios digitais também no ENEM, tendo em vista perspectivas animadoras a longo prazo, como a interligação das regiões mais díspares e distantes do Brasil. Entretanto,  há desafios para se alcançar essas metas e, portanto, cabem avaliar quais são essas influências positivas e as barreiras que impedem de alcançá-las.

É possível afirmar, primeiramente, que haverá uma economia gigantesca no que se refere à extinção do ENEM impresso, pois não irá precisar manter gastos com papel. Cálculos da revista “O Papel” mostram que a fabricação de uma folha de papel A4 consome 0,013% do tronco de uma árvore de eucalipto e 7550 folhas por tronco, caso multiplique esse número pela quantidade de inscritos, percebe-se o quão grave é a situação. Dessa maneira, o uso do meio virtual ameniza esse momento, além de preservar a Amazônia, visto que é um bioma com uma fauna e uma flora tão diversificadas, e com o avanço da fronteira agrícola atingiu incríveis 21% de desmatamento.

Outrossim, a constituição de um país extremamente desigual impossibilita a plena adesão do digital, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, pois há demasiadamente despreparo das cidades para atender toda a demanda. Em 1964, o plano Cohen entrou em ação e instaurou-se o Regime Militar no Brasil, em seguida houve um relativo aumento da industrialização brasileira, todavia, intensificou-se de maneira exponencial a desigualdade social, com a diminuição significativa do poder de compra. Dessa maneira, existem muitos resquícios desse momento histórico-cultural, com a corroboração à nação com índice de gini - indicador de desigualdade - mais alto da América Latina. Em suma, é imperativo que o Governo obtenha a situação da realidade social detalhada dos cidadãos, uma vez que é necessário aplicar o vestibular na internet da forma mais democrática possível.

Evidencia-se, portanto, entraves na consolidação do ENEM digital. Logo, o Ministério da Educação e o Ministério da Economia devem reduzir a disparidade nas regiões com relação à aplicação do exame, por meio da transferência do capital que iria investir em papeis para a infraestrutura e os equipamentos, com a ajuda de professores capacitados para ensinar os alunos a manusear os eletrônicos, a fim de que nenhum candidato tenha nenhum tipo de privilégio pré-existente. Espera-se, com isso, preservar a natureza, diminuir o número de cidadãos que não tenham condições de fazer o ENEM, e afastar-se do mundo desigual acentuado na Ditadura Militar.