Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 20/05/2020
Visto por muitos com uma certa desconfiança na sua lisura, o ENEM Digital representa uma inovação para selecionar os candidatos para as vagas nas Universidades, por meio de uma prova eletrônica, ressaltando a máxima de Steve Jobs que a tecnologia move o mundo. Nesse sentido, cabe analisar o lado bom da atitude de ajudar o meio ambiente e diminuir o gasto público em relação a prova impressa, bem como averiguar uma possibilidade do aumento da desigualdade da população nacional.
Primeiramente, é imprescindível destacar que a redução do uso de papel, do custo da logística são fatores positivos para a natureza e para o cofre do país. Isso acontece porque a sustentabilidade é muito importante para a vida das próximas gerações, por causa de um menor desmatamento que beneficia o desenvolvimento do planeta, como chuvas com regularidade, menor emissão de carbono para a atmosfera. Além disso, um direcionamento do dinheiro que seria gasto com a prova impressa para as outras áreas essenciais, visto que a saúde, programas assistencialistas da população vulnerável são exemplos que necessitam desse investimento. Em situações como essa, segundo o Ministério da Educação, no último ENEM, foram gastos meio milhão para a sua realização, um valor que vai diminuir com a efetivação desse projeto-piloto.
É fundamental compreender, de forma gradual, que existe um outro lado nada benéfico como a modernização dessa prova. Tal fato se dá pelo nível desigual da população brasileira que é alto, muitos não tem computadores em suas escolas ou casas para poder treinar para a prova, ponto que favorece os alunos que pode treinar e estudar com computadores. Segundo a pesquisa TIC Educação, a maioria dos alunos que tem computador em casa são das escolas privadas. É evidente que a disputa pela vaga não vai depender só das diferenças nas proficiências de cada um, e sim, de outro grande motivo como a falta de recursos de uma fatia social na preparação. Aspecto que se opõe ao artigo 1ª da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pois prevê que todas as pessoas nascem livres e iguais em direitos e dignidade.
Logo, pode-se perceber que o debate acerca do progresso em meio eletrônico do maior vestibular do Brasil é fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia em conjunto com as Secretarias de Educação dos Estados destinem verbas para a compra de tablets aos alunos da rede pública por meio da inclusão desse objetivo na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com intuito de diminuir as desvantagens na preparação para a prova digital. Feito isso, a sociedade brasileira poderá vivenciar a justiça realizada.