Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 21/05/2020

A ascensão da Revolução Técnico-Científico-Informacional, a partir de meados da década de 1990, promoveu mudanças tecnológicas significativas em escala global. Por consequência, alterações radicais no formato de processos seletivos já constituem uma realidade em países desenvolvidos no setor informacional, sobretudo, do continente europeu, local de origem da Revolução Industrial. Com efeito, é mister analisar a ascensão do ENEM Digital no Brasil, bem como expor as perspectivas e os desafios para a concretização desse fenômeno.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que as irregularidades territoriais dificultam a plena aplicabilidade do exame. Isso se dá pela má distribuição qualitativa das redes imateriais no Brasil, voltadas para a tecnologia remota, além da ausência de uma garantia efetiva de locais com computadores suficientes, sobretudo em regiões mais isoladas e carentes. Isso comprova-se a partir de  dados do Instituto Terceiro Mundo, que revela que o país possui um acesso tecnológico desigual em diversos estados e municípios, em que alguns não têm o básico: o acesso à internet. Dessa forma, é essencial que o Poder Público garanta as condições necessárias para a execução, em metodologias práticas, do ENEM e de diversos processos seletivos em formato digital.

Outrossim, é válido averiguar que a falta de letramento digital no Brasil faz-se um impasse para a dinâmica do processo seletivo por vias remotas. Nesse viés, a extrema desigualdade social somada à educação precária do país dificultam a elaboração de um exame de caráter tecnológico, uma vez que esse requer um grau regular de instrução dos cidadãos. Tal fenômeno pode ser analisado à luz do sociólogo Émile Durkheim, que afirma que a sociedade se assemelha a um corpo biológico, em que o mau funcionamento de uma das estruturas acomete o todo. Logo, é substancial que haja melhorias no setor educacional brasileiro para corrigir essa problemática.

Em síntese, a observação crítica dos fatores supracitados reflete a urgência de medidas paliativas para contornar os impasses práticos do ENEM Digital. Portanto, cabe ao Governo Federal, a partir de parcerias com prefeituras e empresários de municípios carentes, realizar investimentos massivos em tecnologia remota nesses locais, visando a uma distribuição equitativa das redes imateriais no território brasileiro. Ademais, cabe ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas públicas, implementar uma disciplina específica voltada para o letramento digital nas escolas, por meio de aulas teóricas e práticas, com o objetivo de melhorar o grau de instrução dos cidadãos para com a inteligência artificial. Assim, o Poder Público e a sociedade serão mais promissores em adequar as condições atuais ao novo formato do processo seletivo em questão.