Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 21/05/2020
O Enem (exame nacional do ensino médio) surgiu em 1998 com a finalidade de analisar o nível de formação acadêmica dos estudantes, porém ao longo dos anos, consagrou-se como parte de um mecanismo de acesso ao ensino superior no País. Analogamente, é possivel notar que a prova sofre por uma constante evolução, por isso no ano de 2020 ela passará a ser aplicada em meio digital. Entretanto, observa-se que a plena funcionalidade do exame pode ser comprometida, pois ele não é totalmente democrático, já que o Ministério da Educação ainda não garante uma boa infraestrutura para a sua realização e a sua inclusão à pessoas com deficiência (PCD).
Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias de garantir o sucesso do Enem digital. De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Alexandre Lopes, a prova informatizada exigirá muito menos dos cofres públicos, ou seja, o dinheiro poderá ser apicado de maneira mais produtiva na sociedade brasileira. Além disso, reduzirá a quantidade de fraudes ocorridas por má fé. Nesse contexto o Coordenador da Universidade de São Paulo, Ocimar Alavarse, afirmou: “Você garante que não tem nenhuma cola instalada no computador e que ninguém de fora pode acessar a máquina. Isso reduz o risco", então o Ministério da educação tem como perspectiva que a prova seja informatizado até 2026, para que esses benefícios sejam ampliados.
Contudo, observam-se algumas distorções para o bom funcionamento do Enem diginal. Primeiramente, ele não oferece recursos de acessibilidade, e isso fere o cumprimento dos direitos à educação e ao desenvolvimento intelectual de pessoas com deficiência. Que é assegurados no Estatuto da PCD e na Constituição Federal de 1988, sendo, dessa forma, uma obrigação constitucional. Adicionalmente, nota-se que a infraestrutura das escolas Brasileiras não está apta para comportar tantos alunos- cerca de 6 milhões- sendo que, conforme o Comitê Gestor da Internet no Brasil apenas 4% das escolas públicas têm computadores. Isso mostra que apesar de todos os benefícios que a prova digitalizada traz, ela ainda não é acessível para todos.
Portanto, para que haja o bom funcionamento do Enem digital, faz-se preciso que as escolas públicas brasileiras tenham melhor infraestrutura e que a prova se adeque a pessoas com deficiência, a fim de democratizar o exame. Logo, o Ministério da educação, em conjunto com o Inep devem atentar-se á medidas inclusivas- tanto no quesito físico, como a aquisição de computadores, como no inclusivo- com a finalidade de facilitar o acesso à prova, isso será feito por meio de investimentos em máquinas- que poderá ser o redirecionamento da verba usada para comprar papel, já que ele não será mais necessário- e a contratação de professores especialista em ajudar PCD.