Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 23/05/2020
O primeiro computador eletrônico foi criado em 1946 por dois cientistas norte-americanos e, apesar de ser um advento extremamente difundido no mundo, em uma escala temporal, ainda é um evento recente. Nesse contexto, embora haja diversos benefícios, a introdução do Enem Digital no vestibular brasileiro enfrenta desafios alarmantes quanto à acessibilidade dos cidadãos que não possuem a familiaridade com a invenção ou a capacidade de usá-la integralmente.
Acima de tudo, é evidente que o número de idosos que voltam aos estudos só cresce no Brasil. A respeito desse cenário, uma reportagem do jornal O Globo mostra que nos últimos anos, aproximadamente 15 mil pessoas com mais de 60 anos participaram do Enem. Portanto, a gradativa mudança no modelo de prova necessita de suporte a essa parte da população, que possui habilidade limitada em relação ao uso adequado dessas tecnologias, ausentes em seu cotidiano.
Ademais, o ingresso de indivíduos com deficiências físicas no âmbito universitário também precisa de destaque. Assim, segundo a pesquisa feita para o portal de notícias G1, atualmente, grande parte das vagas em faculdades federais é destinada a essa fração dos brasileiros. Logo, essa enorme demanda por vaga, evidenciada acima, demonstra a urgência de formas apropriadas de utilização de computadores e de realização do exame pelos deficientes.
Em síntese, cabe ao Ministério da Educação e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, viabilizar essa ampla acessibilidade. Para isso, é necessária a adoção de modelos de provas digitais voltadas às especificidades desses candidatos em questão, como a inserção do braile e de treinamento antes da avaliação. Por fim, se essas medidas forem tomadas, o Enem será democrático e representará uma porta de entrada à graduação para todos os cidadãos.