Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 25/05/2020

Após a Terceira Revolução Industrial, em meados do século XX, o uso de tecnologias digitais para diversas funções ganhou espaço no globo. Nessa lógica, a adesão dessas ferramentas em procedimentos, cada vez mais complexos, como em concursos, é iminente. No Brasil, entretanto, a digitalização do seu maior vestibular, o ENEM, tem como perspectiva reduzir gastos na impressão de provas, porém isso pode prejudicar milhões de estudantes ao negligenciar a dificuldade de acesso de muitos e as falhas que utilitários digitais podem apresentar. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar os possíveis desafios impostos aos estudantes brasileiros.

Inicialmente, é importante verificar o principal impacto da digitalização da prova diante das dificuldades de acesso que o aluno brasileiro enfrenta. Nesse contexto, em pesquisa divulgada pelo site UOL, 20% das residências, do Brasil, não possuem acesso à Internet. À vista disso, os alunos brasileiros que não tem proximidade com essa tecnologia acabam sendo prejudicados, visto que o treino em condições semelhantes as do exame são de suma importância para melhor familiarização às características do ENEM. Desse modo, é absurdo como a digitalização do vestibular está sendo utilizada de forma a impor mais um obstáculo no avanço educacional de alguns brasileiros.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito das falhas que os utilitários digitais podem apresentar no Exame Nacional. Nesse sentido, segundo o site G1, logo nas inscrições foram constatados múltiplos problemas no sistema utilizado. Sob essa perspectiva, a possibilidade da presença de empecilhos na realização digital da prova é alto, visto que esse método depende da Internet e essa, por sua vez, no Brasil, tem uma infraestrutura problemática com, muitas vezes, perda de conexão. Dessa forma, é lamentável que os estudantes que optarem por esse método corram risco de atrasar seus acessos à faculdade por falta de estabilidade na forma digital de aplicação do exame.

Nota-se, portante, o quão danoso a dificuldade de acesso e as falhas nas ferramentas digitais podem ser para o estudante brasileiro. Assim, cabe ao Governo Federal ajudar os vestibulandos do seu país. Isso pode ser feito por meio da expansão do acesso à Internet, ao garantir descontos nos impostos cobrados aos grandes fornecedores dessa tecnologia que disponibilizarem planos gratuitos de acesso para estudantes, e da garantia de estabilidade nos dias das provas digitais, ao realizar testes e simulações que apontem os principais problemas e possibilitem correções do sistema com antecedência. Espera-se, dessa maneira, que as tecnologias emergentes da Terceira Revolução Industrial possam ser utilizadas em benefício dos estudantes brasileiros e esses não precisem enfrentar mais obstáculos e instabilidade no caminho para conquistar uma vaga na faculdade.