Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 26/05/2020

Sabe-se que no Brasil, 46 milhões de pessoas não têm acesso à internet, dados segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consequentemente, esses milhões de brasileiros não têm amplo acesso à informação e não possuem familiaridade com aparelhos tecnológicos. Então, o ENEM Digital, que em 2026 passará a ser a única modalidade disponível para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), trata-se de um modelo excludente e que não está de acordo com a realidade estudantil.

Em primeiro plano, de acordo com um relatório da Unicef, o acesso à tecnologia é considerado o novo indicador de desigualdade socioeconômica, ou seja, famílias que não possuem acesso à rede de internet e/ou aparelhos eletrônicos acabam por ficar na desvantagem quando sujeitos a uma prova digital. Pois, “sem acesso à rede” é sinônimo de “sem acesso à informações em tempo hábil”, uma vez que para notícias e atualizações à respeito do Exame chegarem às pessoas a margem da sociedade precisa enfrentar dias de atraso, o que não acontece com as classes “conectadas”, as quais as informações chegam em apenas alguns “cliques”. Além disso, a familiarização com a plataforma também é muito importante; a ciência prova que o corpo humano precisa de um determinado período de adaptação para um ambiente, mas tais pessoas muitas vezes não têm oportunidade de treinar em plataformas semelhantes, resultando em um desempenho problemático durante a prova.

Em segundo plano, a proposta do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com o Enem Digital foi elaborada, também, com o intuito de reduzir os custos governamentais e impactos ao meio ambiente por meio da extinção gradativa do ENEM Impresso. Entretanto, a modalidade impressa é a que se faz presente em toda a vida acadêmica do estudante brasileiro, poucas são as escolas que aplicam provas em plataformas digitais. Decerto, com o Enem Digital muitas instituições irão adaptar-se à nova realidade, porém, não há garantia de que uma maioria terá esse acesso, tanto escolas públicas quanto privadas. Então, por questões de costumes e acessibilidade, o ENEM Digital conta com diversas variáveis para alcançar o almejado resultado da Lei do Art. 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente em que o jovem tem direito a uma educação de iguais condições de acesso, que seria a democratização da educação.

Portanto, a fim de contornar a problemática à respeito dos desafios enfrentados pelo ENEM Digital, o Ministério da Educação deve promover o acesso igualitário à educação de qualidade, por meio do aumento do número de pessoas com acesso à tecnologia, criando salas de informática em escolas, por exemplo. Além de promover a importância da adaptação dos estudantes ao avanço tecnológico.