Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 01/06/2020
A nação brasileira é tão evidentemente humana que, não poderia ser mais visivelmente desigual. Em um país onde menos de 1% da população vive com mais de dez vezes a qualidade de vida - isto é, com mais de dez vezes um salário mínimo - de 70% do resto, o principal desafio se torna a desigualdade social. Nessa lógica, a educação também reflete o aspecto sociológico da distribuição de riquezas, uma vez que, apenas um quantitativo ínfimo do população tem acesso tanto a uma educação de qualidade como também de um processo seletivo que consiga combater esse abismo entre a linha da pobreza e o acesso à educação. Portanto, se faz necessário uma avaliação nacional justa e igual para todos.
Primordialmente, é salutar que a educação se torne um elemento para a libertação, e sendo o processo seletivo uma etapa do aprendizado, deve aproximar-se ao máximo daqueles que mais necessitam. De acordo com Paulo Freire em seu livro “Pedagogia do Oprimido”, a educação deve ser usada como forma de inserir o indivíduo na sociedade e libertá-lo de toda sorte de pobreza, garantindo assim a democracia e a humanidade nas relações humanas da sociedade. Desse modo, torna-se de extrema importância garantir não somente uma educação de qualidade à todos, como também, um exame a nível nacional que permita a acessibilidade de forma igual e justa.
De igual modo, apesar da Constituição de 1988 estabelecer um acesso igual a uma educação de qualidade à todos, não .Segundo o célebre professor Paulo Jubilut, a educação brasileira está muito fora da realidade da maioria dos estudantes de escolas públicas, pois além de inserir conteúdos de cunho universitário fora da grade curricular do ensino médio, torna-se ainda mais distante da realidade desses alunos ao submeter um processo seletivo de larga escala - que abrange realidades totalmente distintas entre seus participantes - em um modelo que não contempla a maior parte da população, pois não são adaptados ao uso da tecnologia. Logo, é necessário a familiarização dos estudantes brasileiros a esse novo tipo de modalidade.
Destarte, demonstra-se de suma importância a disponibilização de uma educação e avaliação que beneficie todos os brasileiros, para que assim seja ampliado o direito à educação e à cidadania. Cabe ao Ministério da Educação, por meio da ampliação de cotas sociais, garantir o acesso à educação superior, fazendo assim que as populações mais carentes tenham garantia igual de acessibilidade e possam superar a lacuna da desigualdade social existente entre as classes. Igualmente, é papel das escolas capacitar os alunos, através de aplicações de simulados digitais, para que estes possam participar da ampla concorrência sem maiores desvantagens, garantindo assim um ENEM mais igualitário e acessível. Dessa maneira, poderemos construir um Brasil mais justo e com mais equidade.