Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 28/05/2020

Neste ano, será aplicada a primeira prova digital do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais Anísio Teixeira (INEP) pretende que até 2026 todo o exame seja realizado online. Isso se deve às vantagens logísticas que uma aplicação digital oferece, como a preservação do sigilo das questões e o barateamento do certame. Contudo, essa nova modalidade de prova pode agravar ainda mais a desigualdade do acesso à educação no país, já que nem todo estudante possui computador e há poucos espaços que oferecem internet de forma gratuita.

De início, vale ressaltar que poucos são os estudantes que podem preparar-se para uma prova aplicada em meios computacionais. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), menos de 50% dos lares brasileiros contam com computador. Com isso, os alunos com menor poder aquisitivo terão uma desvantagem a mais na hora da prova: um meio que não lhes é familiar. Dessarte, a discrepância educacional entre as diferente classes sociais tende a aumentar.

Além disso, são poucas as escolas e bibliotecas que possuem laboratórios de informática para uso comunitário. De acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), menos de 60% das escolas públicas tem computadores  funcionais destinados à educação informática. Sem acesso a computadores, os estudantes carentes não têm meios de simular o dia da prova e entrarão em desvantagem na disputa.

Portanto, para que o ENEM digital não se torne um agravador da desigualdade, é necessário que sejam garantidos computadores a todos os estudantes brasileiros. Para tanto, o Governo Federal deve, através de lei, instituir programa de ampliação do acesso a computadores. Por exemplo,  financiando equipamentos a alunos de baixa renda com recursos oriundos da taxação de grandes fortunas, prevista constitucionalmente. Dessa forma, o exame digital não será promotor do abismo educacional.