Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 31/05/2020

A Terceira Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XX, proporcionou que a sociedade transitasse da era industrial para era digital, uma conjuntura que introduziu grandes impactos na vida do ser humano. À luz disso, nota-se a importância do ENEM Digital para inserir os estudantes a essa realidade. Contudo, observa-se um quadro que apresenta desafios centrados na falta da inclusão digital que permite a manutenção da desigualdade social, como também no contexto de uma instituição escolar obsoleta.

Em primeiro lugar, a segregação da inserção digital no tecido social apresenta-se como um dos principais empecilhos na preparação dos estudantes a essa versão do ENEM. Dado que, há uma falta do contato contínuo, de uma parcela dos estudantes, aos meios digitais, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 42 % da população brasileira não possuem computadores em casas. Ademais, um quadro que prenuncia a intensificação das disparidades sociais existentes no país, uma vez que esse aluno, que, majoritariamente, é da classe baixa, ao não possuir os subsídios necessários para se adequar a essa conjuntura, consequentemente, terá mais dificuldades para adentrar nas universidades. Desse modo, percebe-se um cenário que permite a manutenção dos indivíduos em suas classes sociais.

Além disso, segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Diante disso, compreende-se que a escola deveria ser esse local propício de desenvolvimento do estudante para se adequar ao Exame Nacional do Ensino Médio Digital, no entanto, nota-se uma instituição ainda presa aos moldes do século XIX. Posto que, ao observar o quadro negro na frente da sala de aula, as cadeiras enfileiradas e o professor lecionando a aula em pé, percebem-se exemplos de uma sociedade da Primeira Revolução Industrial, que utilizou esse cenário para familiarizar o aluno com o ambiente das fábricas. Consoante a isso, o Enem Digital que representa o alinhamento com a Terceira Revolução Industrial não dialoga com a realidade obsoleta das escolas.

Portanto, é imprescindível que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, mediante a verbas públicas oriundas de uma parcela do Produto Interno Bruto, reestruture as instituições escolares. Isso ocorrerá com a construção de salas de computação em conjunto com investimento de laboratório de robótica, os quais permitirão a inclusão digital, como também a adaptação da escola a realidade da Terceira Revolução Industrial. A fim de que, assim, prepare os estudantes ao contexto do ENEM Digital. Dessa forma, garantir-se-á que a sociedade cresça de forma igualitária diante dos avanços tecnológicos.