Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 01/06/2020
A declaração dos direitos humanos (DUDH), toma como principio fundamental a igualdade e dignidade de todos os seres humanos, e assegura, em seu Art. 26: todo ser humano tem direito a educação, e a educação profissional será acessível a todos. Nesse sentido, ainda que esses direitos sejam regulamentados pela Constituição Brasileira, é perceptível as inúmeras contradições vividas na prática, o que, com o novo projeto do ENEM digital, abrem-se dicussões sobre como a falta de familiariedade com as tecnologias por parte de classes mais pobre e a infraestrutura carente poderão afetar essa proposta recente do Ministério da Educação (MEC).
Primeiramente, a expansão tecnológica hodierna é evidente, entretanto, diante da velocidade em que a mesma se dá, é plausível afirmar que nem todos tem conhecimento ou domínio da totalidade desse recurso que a cada dia cresce mais. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), tratando-se dos alunos cuja renda familiar está entre as 10% maiores do país, 85,7% usam internet, já os que estão na faixa das 10% mais pobres, o número cai para 5,9%. Partindo desse pressuposto, é correto afirmar que, já que a corpo social marginalizado tem menos experiência com os recursos tecnológicos, é quase previsível que essa parcela social será prejudicada, e os indivíduos que tiveram condições de se ambientar com essas tecnologias, serão ainda mais privilegiados.
Por conseguinte, é importante ressaltar que o acesso a computadores e a velocidade de transmissão não serão iguais em todo o país. Segundo os dados TIC Educação 2016, Do total de escolas públicas brasileiras, 81% delas têm laboratórios de informática, mas somente 59% deles são usados devido a problemas de baixa conexão e equipamentos ultrapassados inviabilizam o uso da internet e de computadores. Partindo desse pressuposto, se o governo ainda tem dificuldades de disponibilizar equipamentos de qualidade para a educação pública, pode-se afirmar que o desafio de oferecer um bom funcionamento do ENEM digital para todo o Brasil será significativamente árduo, e, consequentemente, os estudantes serão prejudicados devido a possíveis falhas.
Dessarte, é indispensável a ação do governo para a resolução do problema. Para a inclusão digital das classes menos favorecidas, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) crie, por meio de verbas governamentais, políticas públicas para garantir acesso igualitário a essa ferramenta e incentive a utilização da mesma visando a inserção e aprendizado dessa camada social, e, para o reparo dos equipamentos das escolas públicas, se faz necessário que o Ministério da Educação (MEC) fiscalize e promova a manutenção desses materiais. Só assim, será possível a construção de uma sociedade mais inclusiva, que vise o direito de todos.