Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 31/05/2020
No ano de 2019, o Governo Federal anunciou a implementação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) digital e sua inserção progressiva na aplicação do exame, afim de substituir a prova impressa. Nesse contexto, as perspectivas sobre essa introdução são favoráveis, já que economizará recursos naturais — como papel, que é utilizado no momento da prova e da correção, e em seguida totalmente descartado — e econômicos. Entretanto, surge a dúvida se as escolas brasileiras têm aparato estatal para comprar computadores apropriados a aplicação das provas.
Cabe mencionar, primeiramente, que desde a sua reavaliação em 2009 o Enem é o principal método de ingressar no ensino superior no Brasil. Nesse âmbito, aproximadamente 5 milhões de pessoas realizam a prova impressa que contêm, no total, 180 questões e uma proposta de redação. Assim, a impressão dos cadernos de prova e o transporte até as escolas de aplicação são um gasto anual de cerca de 500 milhões de reais, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), e somente um terço desse valor é pago com a taxa de inscrição dos candidatos, sobrando a maior parte para o Governo. Nesse sentido, o Enem digital pode diminuir drasticamente esses gastos, já que a prova será aplicada através de computadores das escolas, além da economia do papel.
Vale, ressaltar que, com a implantação do Enem digital, é fundamental a avaliação detalhada por parte do Inep da escola escolhida, já que grande parte das escolas brasileiras da zona urbana, apesar de possuírem laboratórios de informática e acesso a internet, como aponta o Censo Escolar de 2018, não possuem equipamento suficiente para essa demanda. Tal cenário é ainda mais grave na zona rural brasileira, que não possui computadores ou acesso e, por isso, precisarão de mais recursos para uma infraestrutura adequada a realização do exame. Entretanto, esses gastos iniciais com infraestrutura e equipamentos adequados serão longamente aproveitados, já que são bens de consumo duráveis, ou seja, haverá uma economia no quesito econômico, como já citado.
Em síntese, observa-se que o Enem digital é uma proposta viável, se aplicada corretamente. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, através do Inep, adquirir computadores de boa qualidade — para terem durabilidade maior — e em grande quantidade para as escolas de todo o Brasil, afim de suprir a necessidade da realização do Enem digital e também para fins educativos. Além disso, deve-se instruir profissionais da área educacional e também os alunos sobre a utilização correta do equipamento na hora do exame e as orientações a serem seguidas, como o intuito de evitar falhas e problemas durante a aplicação. Feito isso, o plano de implementação do Enem digital será efetivado com sucesso e haverá reduções de impactos ambientais e econômicos.