Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 31/05/2020
As dificuldades da implementação do ENEM digital
O ano de 2020 trará o início de uma grande transformação no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM): a implementação de provas digitais para cerca de cem mil estudantes. Essa inovação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), parece desconsiderar o sistema educacional não tecnológico da educação pública brasileira, um velho problema conhecido.
O ENEM por ser uma das principais formas de ingresso no ensino superior público e privado do Brasil, além de atender desde a metrópole até cidades do interior, ocasiona todos os anos, milhões de candidatos. Com o exame digital, também se faz necessário milhões de computadores, além da manutenção dos mesmos, o que acarretará custos como: mão de obra, aquisição dos equipamentos e gastos com energia. Problemas como pane e mau funcionamento dos equipamentos durante as provas, trazem a incerteza da solução imediata do problema, anulando uma preparação anual do estudante.
Estudantes e professores há anos anseiam por uma educação pública brasileira de qualidade, tendo o uso tecnológico como um de seus pilares, possibilitando, por exemplo, o uso de imagens, documentários, animações e filmes; facilitando o processo educacional e aquisição cultural. A realidade é que o quadro de giz ou branco, ainda é a tela mais vista pelos estudantes, tendo que contar, auxiliados pelos professores, com seu próprio imaginário. A contradição é inevitável, durante anos esse pedido não vem sendo atendido e o sucateamento de várias escolas públicas seja uma realidade , mas, que no prazo de até seis anos, conforme almeja o INEP, o ENEM será totalmente digital.
Uma prova tradicionalmente impressa, se tornar digital, é um desafio para qualquer candidato, mas, esse peso decresce ao longo das classes sociais. É uma realidade do Brasil, e que deve-se levar em conta, estudantes que não possuem acesso à internet em casa, e ainda, o índice daqueles que não possuem computador, prejudicando ainda mais esses candidatos na manipulação da prova, tornando o processo ainda menos igualitário.
Para minimizar o abismo social existente e que se materializará na substituição de uma folha impressa por um computador, é preciso uma associação do Estado e Prefeituras, no investimento de equipamentos nas escolas para um uso contínuo no processo educacional. A participação do MEC investindo em cartilhas e palestras na capacitação dos professores, que adequarão os estudantes à nova realidade digital, é imprescindível, para fim, de uma prova com princípios igualitários.