Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 06/06/2020
Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas Morus, é descrita uma sociedade perfeita, mas, como o próprio título diz, ela não existe. Sob essa perspectiva, é necessário reconhecer que o Brasil está longe de funcionar perto do perfeito, visto que a desigualdade social e a falta de investimento em infraestrutura são problemas persistentes na sociedade. Deste modo, é indubitável que o ENEM Digital, apesar de inovador, favorece a exclusão social.
Em primeira análise, vale mencionar que as diferenças sociais representam um enorme desafio para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Observa-se no livro “A Revolução dos Bichos”, do autor George Orwell, uma sátira à sociedade moderna através do paradoxo de que todos os animais são iguais, porém alguns são mais do que outros. Nesse contexto, pode-se admitir uma relação dessa crítica com as oportunidades dadas aos jovens brasileiros, uma vez que enquanto alguns crescem com acesso à educação privada e tecnologia, outros nem se quer possuem computador ou celular para se inscreverem no ENEM. Logo, os indivíduos desprovidos de privilégios enfrentarão enorme dificuldade para prestar um vestibular digital.
Outrossim, a negligência governamental com a infraestrutura urbana é preocupante. Segundo o conceito de ética a nicômaco de Aristóteles, a política deve visar sempre o bem de todos, no entanto, isso não acontece no Brasil. Partido do fato que as cidades brasileiras em sua grande maioria não contam com infraestrutura de qualidade, pode-se afirmar que os riscos de ocorrerem falhas técnicas durante a aplicação do vestibular online são altos. Dessa forma, os estudantes seriam prejudicados no exame por fatores que independem deles.
Evidencia-se, portanto, que o ENEM Digital mostra-se como uma opção excludente no cenário social brasileiro. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação, responsável por regular a política educacional do Brasil, assegurar a manutenção do ENEM impresso por meio de melhor distribuição dos investimentos direcionados às provas, a fim de garantir menor interferência possível na realização do exame. Sendo assim, o ingresso nas universidades ocorrerá de forma mais justa entre os cidadãos, sem que suas condições sociais e financeiras sejam grandes obstáculos nesse processo.