Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/06/2020

Muito se discute acerca da nova modalidade de aplicação do ENEM, trazendo à tona a questão da inclusão digital nas escolas, que se mostra cada vez mais necessária em um mundo tão ligado à tecnologia. Embora o Censo escolar de 2018 ter apontado que 82% das escolas públicas de ensino médio tem laboratório de informática e 94% possuem acesso à internet, muitas instituições não têm aparelhos que atendam à demanda de alunos nem profissionais preparados para inserir a tecnologia na vida dos discentes, agravando cada vez mais a desigualdade entre os estudantes brasileiros.

É relevante abordar, primeiramente, que a desigualdade social no Brasil alcança as salas de aula e, consequentemente, afeta o desempenho do aluno em provas. No tocante ao exame nacional do ensino médio, um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresenta que a média geral dos colégios brasileiros na prova é 525 pontos, porém 91% das escolas públicas estão abaixo dessa média, como efeito do abismo na qualidade da educação no Brasil.

Além disso, o preparo dos alunos seria desigual, já que nem todas instituições têm a infraestrutura necessária para proporcionar aos seus alunos simulados que os ajudassem a se preparar para a prova.

Em virtude dos fatos mencionados compreende-se que a modalidade do ENEM digital não alcança a todos estudantes brasileiros, pois, assim como muitos alunos não tem acesso à internet nem à computador, muitas instituições não conseguem atender à demanda tecnológica, consequentemente, não conseguindo preparar adequadamente seus alunos a este novo molde. A inserção do ENEM digital, para que tenha um resultado positivo, deveria começar com a inclusão digital de qualidade nas escolas, principalmente nas instituições de ensino públicas, aliada à profissionalização dos docentes, para conduzirem seus alunos em um caminho mais próspero e justo.