Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/06/2020

A Constituição Federal de 1988, Carta Magna do ordenamento jurídico brasileiro, determina que todos são iguais perante a lei. Entretanto, ao adotar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), na modalidade digital, o Governo Federal, de forma precipitada, desconsidera as diferenças socioeconômicas da sociedade. Logo, tal medida deve buscar um equilíbrio entre os aspectos positivos e os impactos sociais dessa mudança.

Mormente, é fundamental destacar a vantajosidade da nova formatação do ENEM. Nesse sentido, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui atualmente 5.570 municípios. Dessa forma, ao diversificar a modalidade da prova, ocorre uma expressiva ampliação da participação da população. Consequentemente, parte das pessoas que antes eram excluídas desse processo, como as comunidades ribeirinhas e de áreas remotas, terão seu direito de participação garantido.

Somado a isso, é imprescindível analisar os efeitos da alteração do exame. Sendo assim, a TIC Domicílios - empresa responsável pelo mapeamento do acesso às tecnologias de informação e comunicação no país - informou, em 2019,  que cerda de 28% dos municípios não possuem acesso à internet. Por conseguinte, de maneira cruel e de forma inconstitucional, a utilização do ENEM, exclusivamente na versão digital, iria cercear o direito de muitos cidadãos brasileiros. Dessa forma, essa parcela da população necessita de uma política pública inclusiva.

Infere-se, portanto, que é papel do Estado encontrar um equilíbrio entre as vantagens e os desafios do ENEM digital. Assim, o Governo Federal, com apoio do Ministério da Educação, deve viabilizar a aplicação do exame na proporção 50% digital e 50% impresso. Ademais, é imprescindível ampliar, por meio um percentual fixo do Produto Interno Bruto, o investimento em tecnologias para amplificar o acesso à internet nos diversos municípios do país. Com isso, espera-se garantir o direito de igualdade previsto na Constituição Federal e promover maior participação social na realização do maior exame vestibular do Brasil.