Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 08/06/2020
Neste ano, o governo anunciou uma novidade, o Enem Digital, agendado para acontecer nos dias 22 e 29 de novembro. A dinâmica é a mesma: o candidato precisa pagar a taxa de inscrição de R$ 85 e optar por realizar a prova online em vez da impressa e presencial. O fato foi celebrado pelo MEC como se fosse uma conquista da qual se orgulhar, quando, na verdade, ela não condiz com a realidade do Brasil, assim como o ensino à distância.
Se, na teoria, imaginamos um mundo em que todos estão seguros em seus lares estudando, na prática observamos alunos, professores e pais tendo que se reinventar para conseguir se adaptar à nova rotina. Apesar das dores de cabeça, esses ainda são privilegiados. 43% dos estudantes brasileiros matriculados no sistema EAD vivem na região Sudeste. Quase a metade de um índice que mostra como o Brasil é desigual social, cultural e economicamente.
Para muitos, apesar da gritante desigualdade, a internet é uma opção, mesmo que distante, para outros ela não chega nem a ser uma possibilidade. 4,5% dos brasileiros moram em regiões do país onde o serviço de internet não está disponível. A região Norte é, mais uma vez, a mais afetada por esse cenário. Curiosamente, ou não, a região Norte foi a primeira a ver seu sistema de saúde colapsar diante da pandemia de coronavírus. A perspectiva com relação à internet é apenas uma parte da falta de estrutura de certas localidades brasileiras.
Talvez até novembro o Brasil e o mundo já tenham voltado ao normal, o que quer que isso signifique, ou tenham ao menos retomado parte dessa normalidade e talvez seja esse o foco do MEC, mas dar a entender em uma propaganda que o futuro dos alunos são eles quem fazem, com determinação, obstáculos superados e vontade, é simplesmente ignorar tais problemas que sempre estiveram lá, mas hoje, por uma razão muitíssimo triste, estão ainda mais aparentes. É egoísmo, é uma falsa meritocracia, é falta de noção da realidade.