Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 17/06/2020
A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, garante, em seu artigo 205, uma série de direitos sociais. Dentre eles, está o direito à educação, que deve ser assegurada pelo Estado, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, com as novas perspectivas e desafios no ENEM digital, o que se percebe, na sociedade atual, é um conflito de ideias, já que esse direito é aplicado de maneira seletiva nas classes sociais brasileiras.
Em primeira análise, cabe analisar que de acordo com o filósofo Rousseau , o homem em seu estado de natureza é bom e possui ideias de igualdade e liberdade. Entretanto, a partir do momento em que surge a propriedade privada surge as desigualdades. A teoria se comprova correta uma vez que vive-se em um mundo de extrema desigualdade como é o caso do ENEM digital, que se mostra presente, no entanto não oferece meios de treinamento aos alunos mais necessitados, como computadores. Dessa forma, o empecilho se torna cada vez mais agravante, sendo que, os indivíduos que não possuem esses recursos permaneceram sem e os que tem, apenas irão se aprimorar.
Em segunda análise, é importante compreender que os problemas não se encontram apenas nas causas da desigualdade, mas estão muito presentes nas consequências dessa. Nesse sentido, é imprescindível perceber o quão essa seletividade afeta a maioria dos jovens que prestam o vestibular ENEM, sendo esses, a classe baixa da sociedade. Nesse contexto, os indivíduos se revoltam já essa mudança acarreta, no vestibular, um aumento de concorrências, dificultando ainda mais a ingressão em alguma faculdade. Além disso, traz no vestibulando uma insegurança, uma vez que mudanças como essa podem demorar para serem efetivadas corretamente, podendo haver maiores índices de fraudes até o momento da oficialização do processo.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse citado. Dessa forma, o Governo em consonância com a pasta ministerial da educação, visto que essa é responsável por mudanças no âmbito educacional, devem criar mecanismos de proteção para as pessoas engajadas nesse processo de transformação do vestibular. Isso deve ser feito por meio de programas de auxílio que disponibilizem tecnologias adequadas para as pessoas necessitadas, objetivando uma menor taxa de desigualdade no ENEM, e também cumprindo com o dever de garantir o direito a educação, previsto pela Constituição Federal.