Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 10/06/2020

Educar para a complexidade

De acordo com o sociólogo Edgar Morin, o processo de educação e avaliação deve se valer de diversas ferramentas para ser realizado. Nesse sentido, entre diversos fatores, as provas digitais são resultado da necessidade de diversificar a aprendizagem. Assim, as perspectivas e desafios do ENEM Digital são: a pouca adaptação para a utilização de computadores para realizar provas por parte dos candidatos e, consequentemente, baixa adesão.

Em primeiro lugar, a exígua utilização de computadores para o estudo pode prejudicar a adaptação dos alunos. De acordo com o Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), apenas 28% dos alunos brasileiros têm acesso a computadores nas escolas. Assim, os demais tendem a utilizar somente meios tradicionais, como livros impressos, para estudar. Dessa forma, a baixa adaptação dos alunos poderia prejudicar os seus resultados.

Por conseguinte, a utilização predominante de livros e provas impressos acarretaria a baixa adesão ao ENEM Digital. Todavia, esse cenário provocaria prejuízos financeiros para o governo federal. Em um cenário hipotético, é evidente que, se o Estado investir recursos para que 100 mil estudantes realizem a versão digital, nem todas as vagas destinadas a essa modalidade seriam ocupadas. Dessa forma, o ENEM Digital traria gastos desnecessários para a conta pública.

Em suma, fazendo analogia a Edgar Morin, é mister que o governo federal aplique políticas públicas que visem a adaptação de todos os alunos a ferramentas digitais. Por meio da distribuição de computadores para todas as escolas, é necessário que o Estado auxilie os alunos a praticarem provas digitais durante a sua formação. Assim, os estudantes estariam habituados a utilizarem essa ferramenta e, consequentemente, o Enem Digital teria total adesão.