Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 23/06/2020

De acordo com o educador Paulo Freire, " A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo." Logo, é inegável o poder revolucionário que a educação e suas inúmeras formas de aprendizado possuem. No entanto, a defasagem e o desprezo em relação a essa competência, é cada vez mais perceptível no Brasil. Fato que é comprovado com a instauração do Enem digital, na qual, apesar de muitos brasileiros ainda não possuírem o acesso à internet e veículos de comunicação, é competido a eles lidarem com essas tecnologias, o que impede o ingresso de diversos brasileiros em universidades, acirrando as desigualdades sociais já existentes no país.

Primeiramente, é notório que a falta de infrestrutura e locias adequados para realização do exame, é um fator limitante para a aplicação dessa prova no modelo digital. Dados do Censo Escolar de 2018 apontam que 82% de escolas públicas regulares do ensino médio possuem acesso à internet, porém, concomitantemente, apenas 34% das escolas rurais possuem esse alcance. Nesse sentido, a desigualdade é exacerbada, colocando em vantagem aqueles que dispõem de intimidade com essas tecnologias, em detrimento dos que não usufruem das mesmas oportunidades e consequentemente terão dificuldades para realizar o concurso.

Outrossim, a escassez da inclusão digital nas escolas, impede a total inserção das classes menos favorecidas nesse novo modelo. A visão pessimista mediante essas inovações, inviabilizam a modernização no processo de aprendizado, na qual, ainda que algumas escolas desfrutem da conexão com a internet, não há iniciativas para inseri-la nas salas de aula. Com isso, os alunos que estão acostumados apenas ao uso dos celulares como forma de comunicação e distração, acabarão ignorantes à utilização benéfica desses aparelhos e serão incapazes de usufruir deles para a educação, como necessita na realização do vestibular.

Portanto, medidas fazem-se necessárias para a eficácia na realização do Enem digital. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, ao Governo Federal e aos governadores dos estados atuarem juntos para a redução das disparidades. Podem viabilizar essa ação por meio de investimentos em escolas públicas para a aquisição de computadores e cabeamento da internet. Também, urge a contratação de profissionais da área da informática para orientação desses alunos ao bom uso dessas tecnologias, promovendo cursos e paletras interativas. Por fim, a realização de provas escolares digitais, como meio de treinamento, seria fundamental ao processo de aprendizado. Dessa forma, será usufruído, de fato, do poder revolucionário da educação.